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17 de abr. de 2009

Novidaids

Olá gente, depois da epopéia da Joana, decidi colocar meus contos e novelas da vida real no http://escolhida.wordpress.com e continuar o novidaids na vibe light que era antes. Isso porque eu sei que muita gente abandonou esse blog por preguiça de ler. Agora quem tem preguiça de ler pode chegar, os posts voltarão a ser curtos, com fotos e falando da vida alheia. Quem quiser um conteúdo mais literário (e não deixa de ser engraçado, também), é só acessar o wordpress!!

15 de abr. de 2009

Novela da vida real

Gente, consegui acabar a saga da Joana, como tá muito antigo o post, coloquei desde o começo aqui, e tá inteira, GIGANTE, então acho melhor vocês salvarem e lerem em partes.


Joana sempre foi a certinha, fazia tudo como manda o figurino, tirava boas notas na escola, queria ser bióloga quando crescesse, obedecia aos pais, que não eram tão certinhos, mas tinham orgulho do trabalho que tinham feito com Joana, ela era a menina impecável, a filha que todos pais gostariam de ter. Educada, inteligente, bonita, aos 12 anos ganhou um concurso de ciências da escola com um projeto sobre Darwinismo. Que orgulho! Com o passar do tempo, Joana foi sendo excluída das turmas da escola por seu destaque entre os adultos, ela era sinal de perigo para os baderneiros, concorrência para os CDF’s e não tinha o perfil dos esquisitões que geralmente se excluem voluntariamente do convívio social. Na adolescência, seu rosto bonito chamava a atenção, por isso as meninas evitavam conversar com ela, os meninos se aproximavam, muito interessados, mas Joana era inteligente demais para o papo adolescente deles. Ela se dava bem com os amigos de seus pais, de seus tios, conversava horas com eles sobre seus planos, seus projetos, suas opiniões, tinha debates intermináveis sobre Rolling Stones, sua banda favorita, mesmo não sendo a banda mais certinha, Joana se identificava com eles, quando as meninas de 16 anos gostavam de High School Musical ou Iron Maiden. Os pais de Joana eram bem diferentes da filha, a mãe, Roberta, era uma ex hippie que se tornou teóloga, mas ainda assim não conseguia se redimir dos seus pecados anteriores e vivia numa auto-punição eterna que acabou imprimindo-se na criação que deu a Joana. O pai, Fabio, era um professor de dança, sedutor e infiel, mesmo sendo muito discreto quanto as traições, não deixava de ser galanteador com todas as mulheres que conhecia, por isso Joana evitava ter amigas, para poupá-las de um dia conhecer seu pai. Joana visitava muito seu tio Horácio, irmão mais novo de Fabio, um produtor musical que adorava Rolling Stones e, nas horas vagas, tocava na noite. Ele e a sobrinha se davam muito bem e ele acreditava no potencial dela como guitarrista, ele a ensinou a tocar o instrumento aos 7 anos e desde então a menina só se aperfeiçoou.
Porém Joana era tímida demais para começar uma banda, ela não tinha coragem de subir num palco e tocar, ela não tinha coragem nem de tocar nas reuniões de família, ela só tocava sozinha ou com seu tio Horácio. Ninguém a convencia de fazer mais que isso, ninguém mesmo. Talvez nem Mick Jagger em pessoa o conseguisse. Joana estava para fazer 18 anos, eram seus últimos dias de aula e ela estava feliz de se livrar dos ‘acéfalos’ da escola. João, um menino que ela tinha beijado uma vez e não largava do pé dela, perguntou o que ela iria fazer depois da aula, ela disse que iria ver o tio dela, ele se convidou para ir junto, ela disse que eram negócios de família. João ficou triste, pois teve certeza de que nunca mais veria Joana, ela foi a menina mais bonita que ele já tinha beijado na vida, foi uma conquista difícil, numa festa junina chuvosa no segundo colegial, ela, tímida como sempre, foi o par dele e, depois da dança, eles foram se sentar, ela toda vermelha, não se conformava como tinha topado aquilo. Ele a abraçou e a beijou, talvez ele tenha sido a pessoa mais próxima dela em toda a escola desde quando ela entrou lá aos 7 anos. Isso fazia João se sentir especial, pelo menos para Joana, sem falar na combinação entre os nomes, isso era bem fofo. Porém para Joana, João não passou de uma experiência que ela tinha que ter para a vida, ele tinha algo de especial, pois foi quem ela permitiu uma aproximação maior, mas foi apenas naquela ocasião, ela não queria nada mais com ele, ela não tinha vontade de ficar próxima dele e, por incrível que pareça, ela não se sentia mal com isso. Acabou a aula e Joana deu graças a Deus, saiu e foi correndo para a produtora de seu tio, lá ele estava com um bando de amigos, o que deixou a tímida Joana muito envergonhada, ela já estava prestes a bater em retirada, quando o tio a viu indo e a chamou para conhecer seus amigos. Como sempre, a principio Joana não falou muito, mas logo foi se entrosando e os coroas adoraram a moça, eles tocavam jazz numa banda e foram decidir com Horácio como ficaria a produção. Quando souberam que ela tocava guitarra, queria uma palhinha, mas ela se negou pontualmente. Joana sempre se sentia mais confortável com pessoas mais velhas, ainda assim não o suficiente para fazer certas coisas, como tocar guitarra, cantar, falar sobre sua vida pessoal ou da vida pessoal alheia. Ela era muito comedida, mas não se enxergava assim, ela acreditava que estava certa, que devia se poupar, que não iria mudar sua vida passar por uma vergonha dessas, ou falar da vida, do quanto se sentia incomodada com o casamento dos pais, de que talvez não gostasse de meninos e nem de meninas, que não sabia mais se queria ser bióloga. Ela guardava tudo dentro dela, não via porque compartilhar isso, eram problemas que ela teria que resolver com ela mesma, então não via necessidade de falar com os outros sobre isso, ela não queria ter um futuro na musica, por isso não via necessidade em tocar em publico. Esse era o raciocínio de Joana. Tão inteligente, tão cheia de barreiras.

Joana começou a faculdade de biologia, onde encontrou muita gente tão estranha quanto ela, e, ao mesmo tempo, tão interessante. Tinha um professor maluco, George, que sempre questionava as teorias mais comprovadas pela ciência. Ele queria sair da lógica positivista e estimular o prazer filosófico da dúvida, da certeza inconcreta. Joana se identificava com essas incertezas, e aproveitou para se questionar, tentar por outro norte na sua vida, algo diferente daquela linha reta que ela vinha seguindo. Ela estava se vendo em terceira pessoa e percebeu que não estava feliz como queria acreditar que estava. Numa tarde, foi visitar seu tio Horácio e os caras do jazz estavam lá gravando, ela viu um dos coroas arrasando num solo de baixo, era Bob, amigo de Horácio que ela conhecera da outra vez que foi lá. Entre um papo e outro, ele contou sobre sua paixão por Rolling Stones e que ele tinha uma banda de rock, paralela a de jazz e que sempre faziam covers, especialmente de Rolling Stones e Beatles. Joana viu nessa aproximação uma oportunidade para dar um novo rumo a sua história, e, sem rodeios, falou com seu tio Horacio que estava interessada em Bob, Horacio, que adorou a idéia, a levou pra ver a banda de Bob numa balada, eles tocaram Angie, Midnight Rambler e Sympathy for the devil, as preferidas de Joana. No fim do show, a envergonhada Joana foi desafiar todos os seus tabus e conseguiu arrancar um beijo de Bob, 20 anos mais velho que ela. Ele lidou com isso como um encantamento da mocinha de 18 anos, mas não que ele não pudesse se aproveitar disso. Bob pegou o telefone de Joana com Horacio, que alertou a sobrinha falando que Bob não era dos mais santinhos, pra ela ir com calma. Joana respondeu firme, dizendo que estava numa nova fase da vida, não iria cair de amor assim tão fácil. Logo no dia seguinte Bob ligou chamando Joana para almoçar, ela estava saindo de uma entrevista de estágio e topou prontamente. Depois do almoço eles deram uma volta, resgataram um cachorro de rua e foram pra casa de Bob, inicialmente pra cuidar do cachorro, mas no fim um acabou cuidando do outro. Era muito de uma vez para Joana, ela que sempre se retraiu, não se entregava para as pessoas estava ali, na casa de um cara muito mais velho, fazendo sexo sem compromisso, fumando um cigarro e bebendo um copo de vodka com suco de laranja. Depois da transa, ela começou a pensar, enquanto fazia cafuné em Bob, se era aquilo mesmo que ela queria. Sair de um extremo para o outro, assim, talvez não fosse muito inteligente. Bob puxou o assunto de relacionamentos com Joana, ela confessou que estava apreensiva, que nunca tinha feito aquilo e que talvez ela estivesse fora de si, agindo impulsivamente com sede de emoção, ele já explanou suas experiências, divorciado, um filho, depois ficou como Horácio, o tiozão que sai com as cocotas, mas pra ele Joana não era isso, era uma mulher profunda, cheia de mistérios e que ele queria muito desvendar. Ela foi carinhosa e só disse um “deixa rolar” pra não cortar o clima de início de romance.
Enquanto isso, o casamento de Roberta e Fabio estava ruindo, eles temiam que, assim que Joana saísse de casa, o que estava perto de acontecer, pois ela havia arrumado o estagio remunerado, o casamento fosse embora junto. Fabio não queria enxergar os problemas de sua esposa, ele se refugiava na dança, na boemia e no colo de mulheres alheias, talvez para se eximir da responsabilidade do casamento furado. Roberta ainda carregava a mácula da morte de sua melhor amiga, Michele, que, nos tempos áureos de sexo livre e amor compartilhado, se infectou com AIDS e faleceu antes dos 20 anos. Roberta acreditava que poderia ter sido com ela, que talvez o erro fosse não ter tido uma vida reta, como a que ela fez a filha levar.

Joana chegou da casa de Bob e viu sua mãe lendo, sozinha, perguntou de Fabio, mas a mãe não soube responder. Joana contou pra mãe que dentro de 2 meses ela sairia de casa, queria ajuda pra essa mudança, que não estava sendo fácil para ela também. A mãe chorou e abraçou a filha, como se o ultimo suspiro de seu casamento fosse dado. Quando Fabio chegou em casa, já na madrugada, percebeu que Roberta estava acordada e conversaram. “O que faz acordada essa hora?”
“Esperava você chegar. A Joana pretende sair daqui em 2 meses, e agora?”
“Ora, Roberta, a gente sabia que isso aconteceria um dia, qual o grande problema?”
“Bom, agora acabou.”
“Acabou o que?”
“Nós... Não há mais razão de continuarmos isso.”
“Roberta, não misture as coisas, eu te amo, não quero acabar com nosso casamento.”
“Mas ele já acabou, Fábio, desde o começo ele estava fadado ao fracasso, você sempre tão distante de mim, tão omisso.”
“Querida, não seja assim, eu sempre te amei, eu só não me adapto ao jeito de ver as coisas.”
“Como assim? Você acha o que? Que eu deveria ganhar a vida dançando, distribuindo sorrisos e flertando com todos?”
“Eu só acho que você se casou comigo pra superar alguma coisa, e eu topei, mas eu não deixei de ser eu, mas você, ora, cada dia mais distante de mim, cada dia mais convicta desses conceitos religiosos que a gente tanto condenava quando era adolescente, olha a Joana, porra, ela ainda deve ser virgem, coitada!”
“Fabio, saia daqui, não quero mais ter essa conversa com você!” – E assim Roberta terminou a conversa.

Joana dormia profundamente, nem percebeu a discussão dos pais. Ela acordou feliz e bem disposta no outro dia, foi para o estagio, depois encontrou Bob, e, por fim, foi para a faculdade, e assim foram suas semanas até o dia que ela se mudou para o seu apartamento. Ela estava receosa em morar sozinha, tudo ia ser muito estranho. Bob se ofereceu para ajudar na mudança, mas Joana recusou, ela ainda não tinha coragem de assumi-lo para seus pais, por enquanto só seu tio Horacio sabia. Ela demorou um fim de semana todo para acabar a mudança, na segunda-feira foi para a faculdade e conversou com George, seu professor, mas, desta vez, sobre um assunto mais pessoal. “O senhor, que se interessa tanto por filosofia, poderia me ajudar numa questão?”
“Claro Joana, o que é? A inteligência dos golfinhos?”
“Não, na verdade é sobre o bicho homem, sabe, por que nunca estamos satisfeitos?”
“Nietzsche diz que nós mesmos é que nos pregamos peças, ao tomar esse mundo, com espaço, tempo, forma, movimento, como falsamente inferido.”
“I can’t get no satisfaction”
“É, Mick Jagger e Keith Richards são mais diretos ao ponto.”
“Eu sempre acho que eu deveria jogar tudo pro alto e ser uma rockstar”
“Joana, não há nada que te impeça de ser o que você quer ser, a não ser você mesma.”
Joana refletiu sobre isso, e foi de encontro a seu tio Horacio, e disse que queria gravar alguma coisa com ele. Horacio quase enfartou, ficou assustado mas muito feliz com a decisão da sobrinha. Não que ela realmente quisesse ser uma rockstar, mas ela queria superar o medo do público e saber que ela só não foi uma Patti Smith porque não quis e não porque não conseguia tocar com alguém olhando. Horacio chamou Bob e sua banda pra acompanhar Joana, eles tocaram ‘love in vain’ dos Rolling Stones, ‘Help’ dos Beatles e ‘Remedy’ dos Black Crowes. Joana se sentiu muito bem em estar lá, tocando as músicas que gostava. Ela começou a se apresentar em alguns shows da banda de Bob, mas nada muito corriqueiro, apenas jams entre amigos. Nesse meio-tempo os pais de Joana se separaram e Fabio foi morar com o irmão, Horacio. Isso acabou aproximando pai e filha, e Fabio soube de Bob e ficou muito feliz da filha estar enfrentando seus medos, diferente da mãe, que estava cada dia mais paranóica. Joana resolveu visitar a mãe, elas tiveram uma longa conversa e Roberta confessou que no passado foi muito diferente, que ela amava Fabio, mas ela tinha medo de não ser uma pessoa correta, por isso não fazia vistas grossas quando o marido sumia nas noitadas e voltava com perfume feminino no cangote. Roberta queria ser a dona de casa exemplar, a mãe exemplar, e achava que todo o sofrimento fazia parte da redenção dos seus pecados anteriores. Joana percebeu que a auto-penitencia da mãe a fez se tornar uma pessoa amarga e sem fé na vida. Vivendo apenas para “carregar a cruz” por seus erros, que na verdade não eram erros, e sim experiências. A morte de Michele fez com que Roberta entrasse num mundo depressivo particular, e Roberta acreditou que casar-se com Fabio e ser mãe a tirariam dessa prisão, mas isso não aconteceu. Joana recomendou que a mãe passasse um tempo fora, que aproveitasse a liberdade e fizesse algo surpreendente, alguma coisa que desse sentido a vida. Joana contou a mãe que estava mudando o rumo de sua vida, que a certeza da felicidade não existe, mas sim uma eterna busca, que dá sentido pra cada dia ser especial. Roberta ficou sensibilizada, mas ainda não estava preparada para uma mudança. Joana contou a mãe sobre Bob, Roberta ficou um pouco assustada, mas já havia percebido que não tinha mais controle sobre a vida da filha, conformou-se então.

Bob era a companhia perfeita para Joana, estavam muito felizes, a parceria deles dera certo em todos os aspectos, até o filho de Bob já estava se afeiçoando a Joana. Estavam juntos há alguns meses, mesmo que nada formalizado, já eram namorados aos olhos das pessoas. Mas Joana preferia não rotular ainda, não pro estar cética, mas sim para não estragar o encanto. Estava quase no período de férias e Fabio foi convidado para uma convenção de tango em Buenos Aires, Joana disse para o pai levar Roberta, que seria bom pra eles tentarem retomar o romance, mas Fabio achou que Roberta poderia não topar as aulas de Tango e, muito menos, vê-lo dançar com as belíssimas argentinas. Joana acabou acompanhando o pai e ambos adoraram passear pelas ruas argentinas no calorzinho de dezembro. Ainda não era Natal, mas tudo estava arrumado a espera do papai Noel e do ano novo, tudo muito bonito, e a noite, as apresentações eram maravilhosas, de Astor Piazzola a Bajofondo, os dançarinos tinham habilidades que deixaram Joana perplexa e a fez admirar e muito o trabalho do pai, como nunca tinha feito antes. No meio de todo aquele burburinho, Joana encontra João, o amigo de escola que não via há mais de ano, trabalhando como fotografo na convenção. Foi uma surpresa para ambos, eles resolveram marcar de ir almoçar num restaurante perto do hotel no outro dia, enquanto Fabio receberia umas aulas de tango eletrônico.

O almoço com João foi bem informal, os dois estavam mais maduros e finalmente se viram como amigos, João ficou muito animado ao perceber que Joana estava realmente interessada no que ele fazia, como ele estava, diferente da época da escola, que Joana era distante e não se importava com nada. Eles marcaram de se encontrar quando voltassem pra cidade deles, quem sabe rever alguém do passado, ou só curtir um som em algum lugar legal. João reacendeu o interesse que estava apagado lá no fundo do baú, viu que Joana estava uma mulher muito mais interessante e continuava muito bonita. Joana, ainda que gostasse muito de Bob, achou que João estava bem bonito e interessante também. Mas nada demais aconteceu, só comidinhas e conversas. De volta ao Hotel, Fabio levou a filha para uma aula de tango, Joana, meio desengonçada, se deu bem com os passos, deixando o pai orgulhoso. Naquela noite pai e filha encheram a cara de Mescal e uma moça abordou o pai dela, que prontamente já disse que Joana era sua filha, que ele estava separado e pronto para conhecer uma mulher tão interessante. Joana decidiu voltar ao quarto, bêbada, ligou para João e eles combinaram uma voltinha pela noite portenha. João percebeu que Joana estava bêbada, então resolveu levar uma garrafa de Quilmes debaixo do braço e ir bebendo, claro que não ficou no mesmo grau que Joana, mas ao menos ele conseguiria entrar no mesmo ritmo que ela. Foram num baile de Cumbia e dançaram muito com todos portenhos que conheceram. Ao amanhecer João deixou Joana no Hotel, já mais sóbria e eles acabaram se beijando, não apaixonadamente, na verdade lembrou o beijo deles da adolescência. Joana sorriu e entrou no Hotel, João foi para seu hotel cantando e feliz, parecia embriagado de felicidade. Fabio perguntou pra filha por onde ela andava, ela disse que saiu com o velho amigo de colégio, o pai disse que se deu bem com a moça argentina, mas que eles tinham que voltar pra casa, então não rolaria romance e Roberta não precisava ficar sabendo. Joana, rindo, disse para o pai não comentar com Bob sobre o amigo de escola que ela reencontrou. Fabio e Joana voltaram muito unidos dessa viagem. De volta a realidade, Joana encontra Bob muito feliz de revê-la, porem ela não está tão animada. O que rolou foi: Bob já tinha tido muitas experiências, ele, por mais que negasse, queria estabilidade, e Joana parecia perfeita, pois era bonita, gostava de rock, tocava com ele a noite e gostava do filho dele. Pra que procurar, ela parecia perfeita pra passar o resto dos dias com ele. Já para Joana, o reencontro com João mostrou que ela pulou muitas coisas na vida por medo, e que ainda havia tempo, pois ela estava com 19 anos, quase 20 e podia fazer muito, viajar, conhecer pessoas novas, sair para novas baladas, quem sabe procurar estabilidade depois, quando sentir que seja a hora, pois ela viveu sempre estável, convicta de seus objetivos e dentro das delimitações que havia feito desde criança.

Bob, por mais maravilhoso que fosse, ainda não era o que Joana precisava, ele fez parte do processo de amadurecimento, mas estava na hora dele deixar a borboleta voar. Joana conversou com ele e expôs tudo que pensava, que queria ficar um tempo fora do país, tentar ajudar a mãe a melhorar dos traumas, conhecer lugares onde se toca rock de raiz. Primeiro Bob relutou, até perguntou para Joana se havia outro cara na jogada, Joana respondeu: “obviamente não, eu quero tempo pra me conhecer, conhecer essa Joana que me tornei, que você ajudou a me tornar. Quero poder te encontrar mais pra frente, preparada pra, quem sabe, viver uma estabilidade com você. Mas agora chegou o momento de eu me despir um pouco desse papel de dependente e ser mais independente, minha viagem a Argentina mostrou que há muito ainda a ser visto, quero estar aberta pra isso”. Bob a abraçou e foi embora. Joana se candidatou a uma bolsa de estudos na Austrália, e falou para mãe que, caso ela conseguisse, a acompanhasse, pois estava definhando por causa da separação, da falta da filha e dos afazeres como professora acadêmica. Roberta relutou, mas depois pensou bem e disse que toparia, caso acontecesse. E aconteceu. Joana conseguiu a bolsa de 1 ano de estudos numa universidade australiana. Clima tropical, praia, gente nova, uma oportunidade e tanto para mudar sua vida e ajudar a mãe. Roberta ficou com medo de não ter o que fazer na Austrália, mas logo se animou ao saber que poderia trabalhar em alguma escola, lecionando teologia. As duas juntaram suas economias e se prepararam para mudar para o outro lado do mundo. Roberta estava feliz por estar ao lado de Joana, isso a fez ter um fôlego para um desafio tão grande. Antes de partir, Horacio fez uma festa de despedida para as moças, e Fabio se mostrou muito triste de perder as mulheres da sua vida por um ano. Ele ficou mais triste do que ele pensaria que poderia ficar. Roberta também estava triste, mas sentiu que era isso ou continuar definhando em sofrimentos. Bob deu uma passada rápida na festa, pois estava abalado com a repentina mudança de Joana, ele preferiu ir La, dar um abraço e deixar uma carta, para que ela lesse quando chegasse lá. Joana ficou emocionada, mas estava empolgada com a mudança e de estar indo com a mãe. Depois da festa Joana se encontrou com João, e, por iniciativa dela, eles tiveram uma noite de sexo como nunca tiveram em todo o colegial, só para que eles não passassem batido um pela vida do outro. “Foi ótimo estar com você, Joana. Espero que possamos nos ver mais vezes.”
“Eu queria só fechar esse capítulo do meu passado, você foi importante pra mim, nunca tinha percebido, mas eu gosto de você, como estou indo embora, tive que adiantar as coisas. Vai saber, nesse meio tempo, o que pode acontecer conosco?”
E mãe e filha viajaram horas e horas, chegaram em Melbourne e foram para um hotel, como já estava tudo meio que combinado, as duas se mudaram para uma casinha numa cidadezinha vizinha. Joana continuou a faculdade lá, com um fôlego diferente, fez vários amigos e até fazia luaus na praia. Roberta começou a trabalhar numa escola de ensino médio, e se encantou com os adolescentes de lá. Por insistência da filha, Roberta se inscreveu num curso de teatro, o que ela achou muito ridículo, a principio, mas depois começou a ver que estava melhorando a auto-estima dela. O curso era só aos sábados, então durante a semana Roberta organizava debates na escola, começou a se entrosar com a comunidade local e ser menos pessimista quanto as sua existência. Joana e Roberta estavam se unindo, mas, com o passar do tempo, Roberta decidiu voltar pra casa, pois viu que, se não voltasse logo, não conseguiria por sua vida no lugar. Aquilo ali era maravilhoso, mas não era permanente, ela queria poder usar seu animo para voltar com o marido, arrumar um novo trabalho, fora de uma universidade católica, quem sabe voltar a dançar, como quando conheceu Fabio. E foi isso que ela fez, Joana, já adaptada ao cotidiano australiano, apoiou a mãe, mas disse que ficaria mais, até o fim da bolsa de estudos. Roberta voltou e, como tinha alugado a casa pra outra pessoa morar, foi se hospedar em um Hotel e pediu para Fabio ir encontrá-la. Quando Fabio a viu no lobby, não acreditou, ela estava ótima, revigorada, bem cuidada, não era mais aquele trapo que era antes. Ele decidiu levá-la para a kitinete que ele estava morando, eles resolveram enterrar o passado, então Roberta, que estava com receio de ir pra la e encontrar uma mulher 10 anos mais nova que ela na cama dele, foi e viu que o tempo sozinho também ajudou o marido a se reorganizar. A casa estava arrumada, nenhuma garrafa ou bituca de cigarro no chão, ele havia se tornado um homem mais responsável, ou contratou uma empregada. “Eu aprendi a me virar sozinho, nossa, como você faz falta. Saí da casa do meu irmão, que é solteirão e todo desorganizado e decidi fazer meu cantinho um lugar especial.”
“Fabio, você realmente me surpreendeu, ou a empregada veio hoje cedo?”
“Roberta, eu estou sem dinheiro pra pagar empregada, sem você eu não fiquei só sem mulher, sem casa, fiquei sem grana também.”
“Sem mulher você já estava faz tempo, eu admito. Mas olha, eu lembro quando você disse que eu não havia superado algo do passado, eu realmente estava presa, naquela coisa de achar que a morte da Michele tinha a ver comigo. Agora eu sei que eu devo agradecer a Deus por não ter sido infectada e poder ter formado uma família maravilhosa com você. Afinal, eu e Michele compartilhávamos nossos parceiros, assim como ela, eu poderia ter tido AIDS.”
“Menos eu, eu nunca nem beijei a Michele. Uma pena, pois ela era uma gata.”
“Fabio, seu piadista! Você está pronto pra tentar de novo? Estamos velhos, mas estamos vivos, eu aprendi com o pessoal lá na Austrália, que enquanto eu tiver fôlego, a minha vida pode valer a pena.”
“Eu sempre acreditei que um dia você ia sair daquela redoma, por isso nunca te abandonei, por isso queria chamar sua atenção, estou muito feliz que você ainda me aceite.”
E os dois se beijaram apaixonadamente, como há mais de 20 anos, quando se conheceram. Fabio colocou um bolero pra tocar e os dois dançaram e se amaram como há muito não faziam. Depois de um tempo, eles mandaram um email para Joana:

“Querida filha, estamos aqui pensando em você, o quanto nos ajudou, não sabemos nem quando e nem por que, mas você reacendeu a luz da vida em nós. Esperamos que você esteja tão bem quanto nós! Te amamos!
PS: Tio Horacio mandou milhões de beijos e quer um cartão postal! Ah, e ele disse que o Bob quer seu endereço. Parece que o amor está batendo na porta de alguém, hein?”

Quando Joana leu o email, se lembrou da carta que Bob lhe entregou 6 meses atrás, na festa de despedida. Ela havia ficado tão agitada com a viagem que nem leu a carta, tinha deixado em alguma pasta e foi procurar. Agora a curiosidade tomava conta de Joana. Ela fuçou os armários, as malas e, na pasta de documentos, achou o envelope.

“Joana, você me trouxe muita alegria no período que ficamos juntos. É triste a separação, espero que seja um ‘até logo’ e não um ‘adeus’. Eu sei que é meio piegas o que vou dizer, mas, por isso pedi que abrisse a carta logo que chegasse. Aí vai: EU TE AMO.
Nesse tempo todo, nunca te disse isso, não aguardo uma resposta. Só quero que você saiba.

Bob”

Joana caiu pra trás, em cima do sofá. Como ela pode deixar um homem que a amasse, depois de dizer que a amava, sem noticias por 6 meses? Que tipo de mulher cruel é essa? Joana decidiu mandar um email para Bob, escrevia compulsivamente, apagava, pensava, estava transtornada. Se sentiu culpada pro ter dormido com João naquela noite em que ele havia entregado a carta. Aí ela parou e pensou “O que me faz sentido agora?”. Parou de escrever o email e pensou se ela estava mal por pena de Bob, ou por amá-lo. Então a resposta veio, como num sopro divino: ela não o amava, nunca o amou. Ela gostava dele, da companhia, da experiência, do sexo, das noitadas, da musica. Mas ela não poderia dizer que o amava, assim, como o homem de sua vida, alguém pra compartilhar tudo. Então ela pensou e reescreveu tudo que havia escrito.

“Olá Bob, sei que sumi, que não fui a melhor pessoa nesses últimos 6 meses com você, eu acredito que, mesmo quando disse que não aguardava uma resposta, você queria saber algo de mim. E eu peço perdão, pois eu só li a carta agora, há uns 10 minutos. Eu surtei, fiquei me achando uma pessoa má e mesquinha por ter esquecido a carta, por não ter entrado em contato com você, por nem checar os emails, que agora vi, que me mandava, mudei de país, de email e não te disse nada, te deixei guardado no passado, como se fosse uma outra vida. Agora eu sei porque Horacio não me falava de você, acho que você devia estar sofrendo e queria me poupar disso. Eu não merecia tanto cuidado. E você não merecia meu desprezo, não foi proposital, eu só mergulhei tanto na minha vida nova que mal fiz contato com o pessoal aí. Eu sumi pra todos, até pro meu pai. Agora que minha mãe não está mais aqui, eu senti o baque, eu senti que estou sozinha, mas porque eu quero e não porque não tenho opção. Em 6 meses minha bolsa acaba e eu volto pra minha cidade, pra antiga realidade. E acho que, se isso não tivesse acontecido, se eu não tivesse visto a carta, se minha mãe não tivesse ido, de nada ia valer esse ano na Austrália. Me perdoe, por favor, me perdoe. Espero que possamos nos ver quando eu voltar. Espero que possamos conversar.
Beijos, Joana”

Foi uma semana difícil para Joana, ela ficou muito abalada e as pessoas perceberam. Ela terminou o casinho com um rapaz que ela sempre via, ela resolveu que ia ficar um tempo introspectiva, pra tentar entender seus sentimentos. Por outro lado, Bob recebeu o email já imaginando que, como estava obvio, Joana não o amava e ele deveria parar de insistir entrar contato com ela. Era o fim do relacionamento deles, pra ele, naquele momento. Para Joana, já tinha acabado faz tempo.
Joana passou os últimos meses na Austrália mais animada, tentando não pensar na volta, não pensar que Bob nunca respondeu seu email, mesmo ela falando com Horacio pra saber se ele tinha comentado algo, Horacio disse que não. Ela voltou, cheia de saudades, pra antiga casa de seus pais, que já tinham voltado a morar la. Estava lá a mãe e o pai, super felizes, tio Horácio e sua nova namorada cocota, o professor George e uns colegas da faculdade, para dar as boas-vindas para Joana. Ela perguntou de Bob para o tio, que disse que ele havia se mandado para Londres, mas tinha deixado uma carta, que, desta vez, ela não se esquecesse de ler.

“Oi Joana, tudo bem? Espero que sim. Sei que volta em 3 meses, eu ia até mandar um email, mas sabe, eu sou velho, prefiro o manuscrito. E preferi entregar para seu tio, e não te mandar por correio, sei lá, você demorou tanto pra ler a outra carta, se seu tio pedisse pra você ler, entregando nas suas mãos, sem falar que é pra esperar, acho que seria mais eficiente do que ficar misturado as contas de luz e telefone. Estou me mudando pra Londres, já estou lá agora, que você lê a carta. Sabe, você foi muito importante pra mim, assim como fui pra você, e eu aprendi muito com você, jovenzinha. Aprendi que há coisas na vida que não precisam ser perpetuadas, são fases e, em cada fase, há seu triunfo. Fomos o triunfo um do outro em uma dessas fases, e logo mudamos, eu demorei pra me tocar disso, mas eu vi que, não era a hora, nem a pessoa certa pra enfrentar comigo as fases que estão porvir. E nem eu era a pessoa certa pra você. Graças a isso, pude ir pra Londres, dar um rumo diferente a minha vida e, quem sabe, ser feliz e encontrar estabilidade (não que sejam sinônimos). Espero que seja feliz e, em breve, nos vemos, fazemos uma Jam session, quem sabe você poderia vir pra cá com o Horacio e caçaríamos o Keith Richards?
Beijos, Bob”

Joana ficou aliviada ao saber que Bob estava feliz, não queria acabar com ela e nem estava amargurado. A volta pra casa foi melhor do que ela esperava, Joana conseguiu entender que, da mesma forma que Bob, ela teve a lição de vida dela. Depois de tudo, o final feliz é aquele que não planejamos.

1 de abr. de 2009

Novela da Vida Real

Realmente está difícil acabar a estória da Joana, recebi uma sugestão que se parece um pouco com o que estou escrevendo. Mas ainda não estou preparada pra postar, pois acho que está meio óbvia. Estou escrevendo mais um conto também, logo mais coloco aqui! Não deixem de acompanhar as novelas antigas. Ah, estou montando o S.O.M. número 1 também, participe!!! Escreva, desenhe, fotografe, saia da rotina!

5 de mar. de 2009

PRECISA-SE DE IDÉIA

Gente, eu não consigo acabar o conto da Joana, tem umas partes escritas que eu não publiquei ainda porque eu acho que está um lixo. I lost my mojo.
Se alguém quiser e puder ajudar, por favor, o faça. Estou numa crise neurótica aqui!!!
Sempre vejo o blog e sempre sinto ele vazio. Socorro.

2 de fev. de 2009

Novela da vida real

Olá amigos, eu sinto que todos precisamos de uma historinha mais cativante, por isso vou contar a trajetória de Joana, uma menina cética que não via a magia nas coisas simples como muitos de nós costumamos fazer.

Joana sempre foi a certinha, fazia tudo como manda o figurino, tirava boas notas na escola, queria ser bióloga quando crescesse, obedecia aos pais, que não eram tão certinhos, mas tinham orgulho do trabalho que tinham feito com Joana, ela era a menina impecável, a filha que todos pais gostariam de ter. Educada, inteligente, bonita, aos 12 anos ganhou um concurso de ciências da escola com um projeto sobre Darwinismo. Que orgulho! Com o passar do tempo, Joana foi sendo excluída das turmas da escola por seu destaque entre os adultos, ela era sinal de perigo para os baderneiros, concorrência para os CDF’s e não tinha o perfil dos esquisitões que geralmente se excluem voluntariamente do convívio social. Na adolescência, seu rosto bonito chamava a atenção, por isso as meninas evitavam conversar com ela, os meninos se aproximavam, muito interessados, mas Joana era inteligente demais para o papo adolescente deles. Ela se dava bem com os amigos de seus pais, de seus tios, conversava horas com eles sobre seus planos, seus projetos, suas opiniões, tinha debates intermináveis sobre Rolling Stones, sua banda favorita, mesmo não sendo a banda mais certinha, Joana se identificava com eles, quando as meninas de 16 anos gostavam de High School Musical ou Iron Maiden. Os pais de Joana eram bem diferentes da filha, a mãe, Roberta, era uma ex hippie que se tornou teóloga, mas ainda assim não conseguia se redimir dos seus pecados anteriores e sempre vivia numa auto-punição eterna que acabou imprimindo-se na criação que deu a Joana. O pai, Fabio, era um professor de dança, sedutor e infiel, mesmo sendo muito discreto quanto as traições, não deixava de ser galanteador com todas as mulheres que conhecia, por isso Joana evitava de ter amigas, para poupá-las de um dia conhecer seu pai. Joana visitava muito seu tio Horácio, irmão mais novo de Fabio, um produtor musical que adorava Rolling Stones e, nas horas vagas, tocava na noite. Ele e a sobrinha se davam muito bem e ele acreditava no potencial dela como guitarrista, ele a ensinou a tocar o instrumento aos 7 anos e desde então a menina só se aperfeiçoou.

Porém Joana era tímida demais para começar uma banda, ela não tinha coragem de subir num palco e tocar, ela não tinha coragem nem de tocar nas reuniões de família, ela só tocava sozinha ou com seu tio Horácio. Ninguém a convencia de fazer mais que isso, ninguém mesmo. Talvez nem Mick Jagger em pessoa o conseguisse. Joana estava para fazer 18 anos, eram seus últimos dias de aula e ela estava feliz de se livrar dos ‘acéfalos’ da escola. João, um menino que ela tinha beijado uma vez e não largava do pé dela, perguntou o que ela iria fazer depois da aula, ela disse que iria ver o tio dela, ele se convidou para ir junto, ela disse que eram negócios de família. João ficou triste, pois teve certeza de que nunca mais veria Joana, ela foi a menina mais bonita que ele já tinha beijado na vida, foi uma conquista difícil, numa festa junina chuvosa no segundo colegial, ela, tímida como sempre, foi o par dele e, depois da dança, eles foram se sentar, ela toda vermelha, não se conformava como tinha topado aquilo. Ele a abraçou e a beijou, talvez ele tenha sido a pessoa mais próxima dela em toda a escola desde quando ela entrou lá aos 7 anos. Isso fazia João se sentir especial, pelo menos para Joana, sem falar na combinação entre os nomes, isso era bem fofo. Porém para Joana, João não passou de uma experiência que ela tinha que ter para a vida, ele tinha algo de especial, pois foi quem ela permitiu uma aproximação maior, mas foi apenas naquela ocasião, ela não queria nada mais com ele, ela não tinha vontade de ficar próxima dele e, por incrível que pareça, ela não se sentia mal com isso. CONTINUA...

29 de jan. de 2009

Novela da vida real

PARTE DOIS DO GRANDE FINAL.

Ela se levanta, guarda a arma na bolsa e olha Valter de rabo de olho, ele vai andando devagar, com medo, até a rua, ela grita “uma coisa que eu tenho é palavra, espero que você tenha também”. Ela volta para o sítio, seu pai pergunta por onde ela andou, ela disse que foi resolver as coisas com Valter, o pai dela quase pula da cadeira “como assim, minha filha, pelo amor de Deus, a gente acho que você tinha ido na igreja e você vai lá pentelhar o rapaz, você é doida?”. Mariana responde, calmamente: “fui conversar como adulta com ele, entramos num acordo, ele vai retirar as acusações contra mim, lógico que eu tive que usar isto [tira a arma da bolsa] mas não precisei atirar não, só de ver ele ficou com essa cara, igual a de vocês e ele mesmo propôs o acordo”. O pai e a madrasta de Mariana ficaram boquiabertos com a calma que Mariana demonstrou ao contar que usou a arma, isso deixou-os com um pouco de medo. No outro dia, bem cedo, o pai de Mariana foi à igreja falar com o padre e contou o que havia se passado com a filha dele, o padre aconselhou o homem a levar sua filha a algum médico ou psicólogo, pois vira na TV alguns casos desses e, além da ajuda divina, uma ajuda médica iria muito bem. Mario foi verificar para Mariana se Valter tinha mesmo retirado as queixas contra ela na delegacia, os dois acabaram se encontrando na sala de espera da delega e começaram uma conversa meio sem graça. Mario: “pois é, eu soube o que rolou ontem a noite, vish, mano, sei nem o que te dizer”. Valter: “eu vou tirar as queixas e vou me mudar pra outro canto, quero distância da sua irmã, mas olha, com isso tudo eu aprendi que temos que ser bem pianinho com as mulheres”. Mario: “Mas você chifrou minha irmã, cara? Sério, na sincera, eu não tenho porque fazer nada com você, me diga...”.

Mariana esperava apreensiva em casa por saber se as queixas tinham sido retiradas, ainda não saberia o que fazer se a resposta fosse positiva ou negativa. Era uma ansiedade enorme. Finalmente seu irmão Mario chega e diz que encontrou com Valter e que as queixas foram retiradas e os processos foram anulados. Mariana se viu livre de uma vez por todas, Mario não comentou sobre a conversa que teve com Valter na delegacia, acreditou que um longe do outro, mesmo com todo mal entendido e incompreensão, seria a melhor solução para todos.

O pai de Mariana ficou feliz com a notícia e propôs a filha que ela começasse um tratamento numa psicóloga, mas ela achou melhor não, ela decidiu que voltaria pra roça, freqüentaria o MADA com sua madrasta e tentaria achar uma profissão para ajudar mulheres como ela.

Depois de alguns anos, Mariana se formou e hoje em dia é psiquiatra, atende em especial mulheres e homens ciumentos e participa de negociações em casos de seqüestros passionais. Valter se mudou e não soubemos mais dele, talvez Mario tenha notícias, mas manteve em segredo até os dias atuais.

22 de jan. de 2009

Novela da vida real

PRIMEIRA PARTE DO GRANDE FINAL

Quando estava saindo do sítio, a madrasta a aborda “o que você tem?” e Mariana, com cara de susto, respondeu “nada, só uma vida destruída”. “O que você vai fazer? O que tem na bolsa?” perguntou a madrasta, que estranhou Mariana segurar tão firme e perto de seu corpo sua bolsa de crochê. Mariana, pela primeira vez num sinal de lucidez depois de tanta loucura, pediu um conselho a sua madrasta, na verdade não um conselho, mas sim uma opinião. “Tinha uma colega do Valter na casa dele na noite que fui pra casa dele, na delegacia, ele disse que não tinha ficado com ela, mas ia ficar depois de tudo o que fiz, será que ele dizia a verdade?”. A madrasta olha para Mariana, põe a mão em seus ombros e diz “não deixe que isso acabe com você, durante muitos anos fui ciumenta com seu pai e só consegui ficar mais insegura, comecei a freqüentar o MADA – Mulheres que amam demais anônimas- e aprendi muito sobre mim e sobre o amor”. Mariana olha com cara de “Que?” para a madrasta, abana a cabeça como se agradecesse e sai, dizendo que vai fazer tudo certo dessa vez. A madrasta, sem saber que Mariana esta armada, deixa a garota sair sem nenhum problema. Mariana pega um ônibus na estrada, vai até a estação de trem, e lá começa a pensar no que poderia fazer. Enquanto isso, Valter está na casa dele vendo jogo de futebol, um pouco preocupado com o fato de Mariana ter sido liberada da prisão, ele não sabia o que esperar dela. Mil coisas vinham na mente de Mariana, ela estava esperando o ônibus para a casa de Valter, quando um homem a abordou, queria a bolsa, ela disse “O QUÊ? CÊ TÁ LOUCO?” e sacou a arma, o cara levantou os braços e disse “desculpa aê, não sabia que você era do crime”, e Mariana pensou que sim, ela era uma criminosa, fichada e agora estava armada, o que ela tinha a perder?

Muita gente acabou vendo que Mariana estava armada, porém é a lei do ver, ouvir e calar, ninguém falou nada, todo mundo entrou no ônibus pianinho, ninguém ia fazer nada, estavam com um pouco de medo. Mariana fica distraída e nem se liga que o pessoal estava com medo dela, ela desce no ponto da casa de Valter e, quando chega no portão da casa dele, não sabe se ameaça ou se realmente faz alguma coisa. Ela não iria tocar a campainha, para que não desce margem para chamarem a polícia. Ela foi ao boteco na esquina, tomou uma cachaça, pediu pro moço do bar chamar Valter, dizer que era um amigo e que era urgente. Claro que ela deixou vintão na mão dele, que, encantado pela carinha de anjo de Mariana, não imaginava que a garota poderia fazer alguma barbaridade.

O moço chamou Valter, que perguntou desconfiado do que se tratava, e o cara do bar afirmou que não teria problema, que era só um amigo que estava muito bêbado, Valter desconfiou e perguntou o nome do amigo, mas o moço do bar teve jogo de cintura e disse “ele está bêbado, vai lá ajudar ele, é amigo seu, só o que eu sei”. Valter vai com um pé atrás, Mariana percebe e vai ao banheiro, tenta pensar se já saca logo a arma pra Valter não fugir, ou se tenta ter um diálogo antes. Valter chega no bar “cadê o cara, Zé?”, o moço do bar faz cara de “ihhh” e Mariana sai do banheiro e diz “Fui eu quem o chamou”. Valter olha amedrontado “O que você faz aqui, sua maluca?” e Mariana, antes de qualquer coisa, saca a arma e fala “Você não vai fugir antes da gente conversar”. O pessoal do bar se joga no chão, sai correndo e o moço fala “Aqui não, mocinha”, ela diz sorrindo de nervoso “eu não pretendo matar ninguém”. Valter pede para Mariana abaixar a arma que ele topa falar com ela. Eles sentam numa mesinha num canto do bar, Mariana tampa a arma com a bolsa, mas ela deixa claro para Valter, a arma estará apontada pra ele enquanto eles conversam, para garantir que ele não corra e que ele não chame a polícia. Como se tratava de um bairro da periferia, ninguém pensou em chamar a polícia, estavam num lugar ‘seguro’. “O que você quer Mariana?”, perguntou Valter. Mariana: “Eu quero saber de onde você tirou a idéia de darmos um tempo, quero saber por que você me traiu com aquela menina e por que você acabou com a minha vida? Estou com a ficha suja, desempregada, meu irmão me está me odiando, meu pai tem vergonha de mim e minha madrasta acha que sou caso de novela. Pra que tudo isso?”. Valter: “Começamos a namorar muito jovens, tínhamos apenas 17 anos, 1 ano e meio de namoro passou, eu não estava feliz, eu acreditei que o tempo seria para eu ver se realmente um sentiria a falta do outro, mas você não deu nem tempo pra isso acontecer, eu não entendo, você agiu como uma louca, não aprece a mesma Mariana que conheci”. Mariana começa a chorar, e fala: “Agora eu não sou mesmo a mesma pessoa, agora minha vida está destruída, eu não sei o que fazer, eu quero matar você e morrer”. Valter, com o olho arregalado, faz uma proposta: “Eu retiro todas as queixas contra você, se você prometer que vai me deixar em paz, por favor, a gente já viu que não vai dar certo”. Mariana: “VOCÊ QUER FICAR LIVRE PRA FICAR COM AQUELA BARANGA DO SEU TRABALHO, NÃO É? CONFESSA SEU DESGRAÇADO, CONFESSA SENÃO VOCÊ VAI CONFESSAR DIRETO PRA DEUS!”. Valter, com medo de levar uma bala, começa a gaguejar e deixa Mariana nervosa: “FALA SEU FILHO DA PUTA, VOCÊ FODEU MINHA VIDA, VOU ACABAR COM VOCÊ”. Valter: “Mariana, vo-você pode na-não acreditar, mas eu não fiquei, nunca com aque-quela menina. Ela mora num ba-bairro distante que ficou alagado com a Chu-chuva. Lembra que choveu? E-ela estava dando um te-tempo”. Mariana olha desconfiada, não acredita em uma só palavra de Valter, mas nesse momento ela percebe que tanto faz estar ou não com ele. Mariana: “retire as queixas”. Valter “Você vai me deixar em”, Mariana interrompe: “retire as porras das queixas amanhã cedo senão você não vai esquecer de mim nunca mais.

AMANHÃ SEGUNDA PARTE DO GRANDE FINAL (é grande, tive que desmembrar!)

21 de jan. de 2009

Novela da Vida real

CONTINUANDO...
Um ano de namoro se passou e eles estavam firmes e fortes. Valter arrumou um emprego novo de auxiliar de escritório e seu salário aumentou. Com o dinheiro a mais, ele começou a ser cobiçado na firma. Como todo homem cafajeste, Valter não deixava de dar mole pras mocinhas e começou a receber recadinhos quentes em seu celular. Um belo dia Mariana percebeu Valter num canto respondendo uma SMS, meio que escondendo dela. Ela ficou muito contrariada e perguntou o que ele tinha a esconder. Ele disse que não era nada. Esperta como ela só, Mariana esperou uma distração de Valter e pegou o celular dele. Qual a surpresa quando viu vários nomes de meninas nas ligações e várias SMS muito carinhosas. Mariana resolveu guardar o celular de Valter com ela e ele acreditou que tinha perdido, o que o deixou desesperado. Valter foi levar Mariana pra casa e quando chegaram ela disse “Ta aborrecido, amor?” e ele respondeu “Acho que esqueci meu celular em casa” ela, muito cínica, acalmou-o “Vamos dar um toque nele, se tiver chamando, alguém lá atende”. Mariana havia desligado o celular, então caiu direto na caixa postal, para desespero de Valter. Ele chegou em casa desolado, pensando em bloquear o numero no dia seguinte. Mariana ligou o celular, salvou todos os números de mulher da agenda e repassou as SMS dele pro celular dela. O que ela estaria pensando em fazer?
Valter arrumou um celular novo, com o numero antigo e, com a boa fama de gostosão no trabalho, decidiu que era bom dar um tempo no namoro, afinal ele era jovem e não queria ficar muito preso. Era a brecha que Mariana precisava para começar a agir. Ela mandou SMS de um numero privado numero a numero de mulher que tinha no celular de Valter, xingando de vagabunda pra baixo. Pegou o antigo aparelho de Valter e mandou por correio pra casa dele, totalmente destruído, com um recado “você tem um novo inimigo”. Valter demorou a entender, mas ligou os pontos e pensou em Mariana, pediu para Mario, irmão dela, dar uma conversada com ela, afinal, ele não queria terminar, só dar um tempinho.
Quando Mariana ficou sabendo, algo muito ruim tomou seu corpo, ela começou a pensar que tinha ajudado o cara a comprar a moto, a mudar pra Guaianases, a querer crescer na vida. Ela pegou um trem e foi até a casa dele, tentar entender o que estava havendo. “Olha Valter, pra mim não tem essa de tempo, ou acaba logo, ou volta, ficar desse jeito não dá”, ele retruca “Eu te amo, mas preciso de um tempo pra mim”. Ela nem espera ele acabar de falar, empurra a moto dele no chão e fala “metade dessa porra é minha”, ele olha, estupefato e diz “vou chamar a polícia” ela diz “chama, eu quero o que é meu de DIREITO”. De dentro da casa de Valter sai uma moça e diz “O que foi Valtinho?”. Mariana: “Quem é essa vadia, Valter?”, Valter: “é uma colega minha do trabalho”. Mariana: “E colega dorme na sua casa agora?”. Mariana, cheia de ódio, começa a pular em cima da moto, que vai se quebrando inteira, a raiva era tanta, que parecia um mamute sapateando em cima da moto. A polícia chega e leva Mariana pra delegacia, eles acabam dando queixa da moto e do celular.
Mariana fica detida, cheia de raiva, e Valtinho olha pra ela de longe e diz “você é uma louca, eu não tava ficando com aquela menina, mas agora vou ficar”.
O pai de Mariana vai a delegacia e consegue, depois de muito lero, liberar a filha até que a polícia comece o processo criminal. Ele diz para Mariana voltar ao sítio, pois estava desempregada, com a ficha suja e precisava de um advogado. Ela tenta entender toda a situação, mas tudo parece complicado demais. Mario arruma as coisas pra deixar a kitinete que tanto gostava, acabou pegando uma raiva de Mariana, mas ainda assim, conseguia ver que ela foi vítima de uma sacanagem.
O pai de Mariana tinha uma arma no sítio, o que é normal, devido ao risco de bichos ou malfeitores entrar no sítio. Mariana pegou a arma decidida a resolver sua situação de uma vez por todas.
AMANHÃ O GRANDE FINAL!!!

20 de jan. de 2009

Novela da vida real

Hoje vou contar a história de amor e ódio de Mariana. Afinal, depois de muito tempo sem postar, esse blog merece uma história bombástica pra começar bem 2009.

Mariana era uma menina que veio de uma origem problemática. Sua mãe abandonou a família quando ela tinha apenas 2 anos e fora criada com o pai e o irmão mais novo num sítio no interior de São Paulo. Desde cedo Mariana e Mario, seu irmão, ajudavam o pai na roça, seja plantando, colhendo ou vendendo no mercadão as verduras do sítio. Quando tinha 10 anos, Mariana viu seu pai dividindo o amor dele com uma mulher, com quem casou em pouco tempo e tiveram uma filhinha. Mariana e Mario ficaram enciumados, porém conformados com a situação, afinal, eram só crianças.

Com o passar dos anos, a madrasta se tornou uma pessoa fria com Mariana e Mario, ciumenta com o marido e mimava muito sua filhinha. Mariana começou a trabalhar fora e decidiu que sairia de casa assim que seu irmão, que estava com 14 anos, começasse a trabalhar também. Mariana foi trabalhar de recepcionista num escritório em São Paulo, quase 100km de distância do sítio onde morava. Era dedicada e estava feliz de sair da vida da roça, porém se sentia solitária por não ter muito com quem dividir essa alegria. Já havia terminado o colegial e seus colegas não viam muito bem essa de Mariana viajar pra ir trabalhar. Num vagão de trem lotado, Mariana pensava que sua vida seria melhor se ela arrumasse um companheiro, alguém para acompanhá-la nesta longa estrada da vida. Quando na estação Jundiapeba, um moço senta ao seu lado. Ele vê os grandes olhos verdes de Mariana e se encanta, decide puxar conversa com ela. Mariana gosta do papo de Valter, ele parece um cara legal, pois também mora longe e, ainda assim, trabalha de Office boy em São Paulo. Eles trocam telefone e desejam se encontrar de novo, com ou sem a ajuda do acaso. Mariana liga para Valter no dia seguinte e eles se encontram na estação da Luz para sentar juntos no trem novamente. E assim uma semana passa e eles se vêem todos os dias, menos domingo, que era folga deles. Mario começou a trabalhar e quis procurar casa junto com Mariana num lugar mais perto da zona urbana. Eles acharam uma kitinete na Rego Freitas, centrão de São Paulo, e mudaram pra lá para a tristeza de seu pai e felicidade de sua madrasta. De pouco em pouco, Mariana e seu irmão montavam o apartamento de 38m², pequeno mas suficiente para eles. Mario mudou de escola, na verdade ele disse que mudou de escola, mas tinha é parado de estudar. Ele já era alfabetizado e estava satisfeito assim.

Valter e Mariana começaram a se entender melhor, até que rolou um romance. Vira e mexe Valter ia dormir na Kitinete, o que deixava ele mais perto do trabalho e não precisaria acordar as 5 da manhã e fazer uma viagem até o trabalho. Estava feliz pela comodidade e por estar com Mariana. Mario não via isso muito bem, mas não reclamava, pois faria o mesmo se fosse com ele.

Valter decidiu mudar pra casa de uma tia em Guaianases, pra ficar mais perto do trem e assim não ficar sempre na pendura, dormindo na casa de Mariana.  Depois ele comprou uma moto, que Mariana ajudou a pagar, agora eles já tinham um vida praticamente de classe média. Iam ao shopping Itaquera, comiam pastel na Liberdade, enfim, era um casal feliz. Amanhã eu continuo...

29 de out. de 2008

Novela da vida real

Estive ausente, mas foi por uma boa causa, viajei por esse Brasil e acabei conhecendo várias pessoas, com várias histórias ótimas.
Hoje vou contar a história de Ana, a menina que foi na palestra e aprendeu que ser pobre é mais do que não ter dinheiro. É um estilo de vida!

Ana e Alessandra eram amigas desde a época que trabalhavam juntas num lugar de semi-escravidão. Ambas eram da área gráfica, cada uma com sua especialidade. Você acha que diploma conta alguma coisa? Não para a firma que elas trabalharam. Eram chibatadas para todos sem distinção. Ana foi a primeira a sair de lá, Ale só saiu há pouco tempo, meio traumatizada, mas enfim alforriada.
Ambas se interessavam muito pela área que trabalhavam, sempre buscavam as novidades do mercado, para se aprimorar e, quem sabe, sair daquela firma de escravidão. Depois que saíram da firma, continuaram na batalha para melhorar a mão de obra. Foi quando souberam de uma palestra gratuita sobre a área gráfica e editorial. Que mamata! Ale logo inscreveu-se e convidou a amiga Ana, que topou, afinal, era de graça e tinha certificado.
As duas saíram de seus respectivos empregos correndo para pegar o início da palestra, viram tudo e a parte que interessa é a que começa depois da palestra. Rolou uma boca livre pro pessoal, bebidinhas alcoólicas e não-alcoólicas. Tinha quiche, canapés, toda aquela comida pseudo-chic que rola em palestras pagas estava rolando de graça naquela palestra. Suspeito para mim, mas para as meninas era a felicidade concreta. A verdadeira alegria de pobre.
Comeram tudo que sabiam e o que não sabiam que era. Pegaram um guardanapo, encheram de salgadinhos, enrolaram e colocaram na bolsa, pra comer mais tarde ( e claro que todos que estavam lá também estavam fazendo isso, afinal, era DE GRAÇA!), beberam todos os champagnes e vinhos que passavam. Estavam trilegais quando chegou o mestre da festa, bateu três palminhas e gritou “acabou a mamata pobraiada, podem ir embora!”.
E as meninas foram super alegres para o metrô, bêbadas de vinho e champagne de origens duvidosas. No meio do caminho, Ana sentiu seu estômago doer muito, Ale ficou preocupada, mas Ana disse que iria embora bem. Saio do metrô e foi pegar o trem pra São Bernardo, onde mora. No trem, Ana não encontrou lugar para sentar, ficou zonza e começou a vomitar ali onde estava mesmo, no meio do corredor. Na estação próxima o trem parou e a galera botou a vomitada para fora do vagão, assim, arrastada, pois ela vomitou e desmaiou (digno de Janis Joplin isso). Um guardinha viu a moça caída e foi lá ajudar. Pegou o celular dela e procurou o numero CASA, ou MAE, ou PAI, tentou ligar mas estava sem crédito, então ele ligou a cobrar mesmo. “Oi aqui é o Guardinha, achei a moça caída aqui na estação”, disse ele. “Meu Deus minha filha foi seqüestrada”, gritou a mãe de Ana – “quanto é o resgate, onde? Eu não tenho dinheiro, moço, ai ai meu coração” – completou ela.
O guardinha, envergonhado pela mãe de Ana, explicou que não era nada disso, que a menina estava passando mal e a ambulância a levaria para o Hospital Publico, onde eles deveriam estar caso ela falecesse. Desfeito o mal entendido, a mãe e o pai de Ana seguiram para o Hospital, mais aliviados pois não teriam que roubar para pagar um resgate de seqüestro.
Ana acordou na ambulância, olhou para o enfermeiro, que perguntou “vc bebeu o que? Fogo Paulista?”, ela retrucou “eu comi essas bostinhas aqui que tão na minha bolsa” e mostrou os salgadinhos que roubara da palestra. O enfermeiro não acreditou que tenha sido a comida, e nem o medico, quando foi atendida, mas quando o médico viu a cara da mãe de Ana, resolveu limpar a barra dela e disse que era intoxicação alimentar. A mãe dela acreditou e Ana viu que as vezes uma injeção na testa pode ser mais legal que uma boca livre de graça.

23 de set. de 2008

Novela da vida real

Gente, desculpa a sumida, estou bem corrida e não tive como postar antes... Mas lá vai... dei uma mudada no outro post porque senão este ia perder a graça! Se tiver tempo e paciência, confira!

Entram no quarto, Catarina deita na cama e dorme, quando acorda, percebe que está sem nenhuma roupa. O moço (o qual Catarina não faz idéia do nome) acorda e olha para ela, ele está vestido, e diz “E aí peladona?”. Ela rebate “e aí vestidão?”. E riem, mas Catarina quer entender o que está acontecendo, porém, ao mesmo tempo, ela se sente envergonhada por não ter a mínima idéia de como foi parar lá.
Catarina decide então agir com naturalidade, vai ao banheiro e percebe que está com seu absorvente interno, ou seja, não teve sexo. (Eu sei que vai ter gente que vai pensar que tinha outro buraco pro cara tentar aproveitar, mas Catarina garante que acordou e verificou se estava tudo no lugar. E estava) Ela fica aliviada por saber que só estava ‘peladona’. Ao se vestir, o moço fala “então, vamos?”, ela sorri e vai, meio que sem saber o que falar. Ele pergunta onde ela mora, ela diz. E fim. Não existe mais conversa dentro do carro até ele chegar perto da casa dela e ela dizer “é aqui, pode parar”. Ele parou, deram um selinho sem graça e ela saiu do carro. O moço grita “hey, você esqueceu algo na chapelaria da balada” e ela se aproxima do carro, ele entrega a fichinha da chapelaria. Catarina engole o palavrão, dá um sorrisinho e sobe para casa dela. Percebendo o por quê de estar sem bolsa, agora tudo fez sentido, ela tinha saído de bolsa, mas esqueceu na chapelaria, agora Catarina estava sem a chave de casa, sem o telefone celular, sem a carteira, enfim, estava fodida.
Catarina foi a um orelhão, ligou para a mãe, disse que tinha dormido na casa de uma amiga e que tinha esquecido a chave. A mãe dela saiu do trabalho e foi abrir a porta para ela, que liga imediatamente para Cássio e conta que precisava voltar na balada pra pegar as coisas dela. Eles ligam lá e descobrem que só abre a partir de quarta, esperam 3 longos dias sem fim, Catarina se sentindo quase sem vida, estava sem o celular, sem as chaves e, principalmente, sua carteira com seus documentos, cartões e tudo mais. Quarta eles vão lá e Catarina pega a bolsa e confere se está tudo lá. Quando percebe que seu cartão de crédito internacional com limite no céu havia sumido! Se desespera, pois não havia bloqueado os cartões, contando com a honestidade das pessoas que trabalham na balada.
Finalmente ela bloqueia o cartão e espera pelo pior. Por uma fatura milionária que não poderá pagar e não terá como provar que não foi ela quem gastou. É o fim?
Desolada, Catarina se isola em casa esperando a fatura chegar. Cássio tenta acalmá-la, diz para ela procurar, vai que ela estava com o cartão em algum bolso? Ela acha só o comprovante e não o cartão, pede para Cássio procurar nas coisas dele também, afinal, ele foi o ultimo a ter contato com o cartão. Uma tortuosa semana para Catarina se passa, Cássio se encontra com uma amiga pra tomar uma cerveja e conta de todo o ocorrido. Quando ele vai pagar a conta, vê o cartão de Catarina em sua carteira. Ele havia esquecido que tinha guardado o cartão para Catarina. Quando ele procurou, procurou porcamente e não viu que estava atrás de seu bilhete único, usado para pegar o busão. Agora que ele achou o dito cujo, ligou para Catarina e finalmente ela conseguiu se curar da ressaca moral. E o moço, bom, este nunca mais foi visto.

15 de set. de 2008

Novela da vida real

Esse fim de semana me lembraram de um ocorrido com uma amiga minha, que aqui vou chamar de Catarina, mas este não é o nome dela. É importante frisar isso porque o nome do outro protagonista é desconhecido.

Catarina estava numa churrascaria um dia, bebendo e comendo muita carne com amigos, quando seu celular toca, é Cássio, perguntando o que ela iria fazer naquele sábado super lindo. Catarina ainda não sabia, estava se entupindo de comida e bebida, chamou Cássio para participar da santa ceia e depois pensariam no que fazer. Aí a comilança acabou, foram pra uma rua movimentada e cheia de baladas ver o que poderiam fazer, não acharam nada muito interessante, pararam no boteco e beberam mais um bocadinho até pensarem em como salvar a noite. De todo mundo que tava na churrascaria, só Catarina e Cássio que pensaram em fazer alguma coisa após. É o tipo de coisa que eu digo pra não fazer, porque comer antes de beber é importante, mas comer MUITO é um risco.
Cássio, que não tinha comido muito, sugeriu a Catarina que ela tomasse algo mais energético, pois o sonão da sesta bateria e ela tinha que segurar o modelão. Ela topou e ambos se entorpeceram e resolveram entrar numa balada hype super cara de São Paulo, que é toda estilosa e bem decorada, com freqüentadores ricos, famosos e bonitos. Lá, Cássio encontrou com alguns amigos, ganhou umas cantadas, pois, é claro, Cássio é gay e estava no lugar certo pra arrumar uma paquera. Catarina, por sua vez, foi incorporando a Heleninha Roitman, a professora Fátima, o pai da Marjorie Estiano naquela novela que ele era bêbado, enfim, Catarina estava tocando o céu com sua taça de Chandon. Dançou, dançou, dançou, subiu no sofá, dançou mais, foi até o chão, subiu, desceu. Eram 5 da manhã e Catarina e Cássio estavam a todo vapor, até que, num dado momento Cássio nota Catarina deitada no sofá e um moço meio que tentando conversar com ela. Ele vai lá e pergunta para Catarina se ela está bem, ela faz que sim com a cabeça. Cássio pergunta quem é o moço, Catarina sussurra “não sei”. O DJ grita “Ae biluzada, é a última música”. O moço tenta levantar Catarina, que já estava sem glamour e morrendo de sono, e fica falando que ela é linda, para ela ir embora com ele, que ele a deixa em casa como uma princesa. Todos começam a ir pagar a comanda no caixa, Catarina paga no cartão, esquece-o no balcão e, por sorte, Cássio vê e pega para ela. Catarina estava sem a bolsa. Lá fora, o Sol nascendo, Cássio pergunta para Catarina se ela quer ir embora com ele. Ela diz que vai com o moço e o moço garante para Cássio que vai cuidar bem dela. Catarina entra no carro do moço, atordoada e fala que mora na zona leste. O moço fala “eu não taxista”, Catarina olha pra ele e ele diz “vamos nos divertir antes” e sorri. Eles vão para um hotelzinho pulgueiro na rua da Consolação, que custava R$90,00 pra passar 12 horas. Entram no quarto, Catarina deita na cama e dorme, quando acorda, percebe que está sem nenhuma roupa... AMANHÃ EU CONTINUO.

11 de set. de 2008

Novela da vida real

Feliz dia 11 de Setembro. Estamos todos vivos mais um ano. Não é esse ano que o Bin Laden vai acabar com nóis.

Continuando a saga do azarado Pedro:

Aí chega o velho Pedro, todo cheio de si, ainda não convencido de que é um derrotado na arte do amor, puxa um papo com Maísa, que olha pra ele e vê que ele é um cara famoso. Maísa, assim como as gurias do Sul, também era expert em enganar velhos bêbados e babões. As duas amigas da moça ficam observando o bate papo dela com o velhote, já sacaram que ela queria fazer ciúme para Carlos, o cara por quem era apaixonada. Joaquina foi falar com Carlos, pra ele meio que ver o que estava rolando entre a Maísa e o velho Pedro. Carlos foi lá causar, se meter na conversa, afinal ele tinha uma queda por Maísa. E aí Pedrão falou para Maísa que queria beijá-la, Carlos chega. “Só te beijo se você beijar ele”, disse a moça apontando para Carlos. Pedrão, trêbado, tenta beijar Carlos. Que o empurra o velho Pedro, que cai na real de que Maísa estava tirando uma com a cara dele. Ele fica puto, quando Diana, a obesa, vai lá consolar o velho. E assim vai rolando um clima entre eles, quando todo mundo parou pra ver o casal que merecia o prêmio “Bizarro entorpecido 2003”. Até a luz acendeu. A Terra parou de girar. Foi o beijo mais estranho já visto por aquelas 60 pessoas presentes naquele horário. Diana e Pedro se pegam loucamente na pista. A música pára, é hora de ir embora. Maísa não ia perder a oportunidade de zoar mais um pouco com a cara de Pedro. Agora ela e Carlos estavam de parceria nisso.
“E aí Pedro, todo mundo pra sua casa?” – Maísa. Pedro, todo safadão, falou “Agora você me quer?”. Maísa disse “Quando eu te quis, você preferiu a Diana”. Pedrão: “Quem é Diana?”. Diana: “Sou eu, e aí, vamos pra sua casa?”. Pedro olha super assustado. Todos na fila pra pagar a comanda, Pedro quer impressionar Maísa e fala “Eu pago a sua, eu sou vip aqui”. Diana morre de inveja. Pedro disse “E o meu beijo, vai rolar?”, Maísa olha para Carlos e diz “Primeiro você beija ele”. E foi lá o velhote, olhou para Carlos e deram um selinho. “E agora?” – Pedro. “Agora você beija a Diana de novo” – Maísa.
“O que?” – Pedro. “Isso mesmo, vai ter que ser do jeito que eu quero” – Maísa. Diana, que estava falando com Joaquina, desabafando a mágoa de não ter sua comanda paga pelo Pedro, é pega de surpresa por um beijo do velhote. Ela ficou passada, ele saiu andando e nada falou. Voltou lá para frente, com Maísa e Carlos, pagaram suas comandas e, lá fora, Maísa disse que Pedro tinha que esperar Carlos ir embora, aí sim, ela iria embora com ele.
Carlos, pro sua vez, disse que tinha que esperar a Diana e a Joaquina. E nessa o velho Pedro foi ficando com a pressão alta de raiva da ninfeta gostosa. Mas era sua chance de dar uma com uma menininha bonitinha e com tudo no lugar. Depois de uns 5 minutos saem Diana e Joaquina, se despedem de Maísa, ignoram Pedrão, afinal, Diana estava magoada com ele. Vão para o estacionamento. Maísa e Pedro estão na porta da balada, a sós. Ela diz “chame o táxi”. Ele tenta beijá-la, ela delicadamente vira o rosto e dá um sorrisinho. Olha o K.O. aí, Brasil. Ele fica nervoso e diz “sua vaquinha, você está me enrolando desde o começo da noite, tive que beijar um homem, beijar uma gorda e agora você fica fazendo cu doce”. O taxi chega, Pedro entra e puxa Maísa violentamente para dentro com ele. “Seu velho tarado, seu pinto não sobe, me larga!” e fez um escândalo que o taxista não quis sair do lugar até que a moça saísse do carro. Saíram os dois. “Olha loirinha, não é justo o que você fez comigo”- Pedro. Nisso, Maísa mexe em seu celular. “Olha aqui seu maníaco, eu sou menor de idade, você vai se foder se por a mão em mim” – Maísa. “Com essa cara, você é menor aonde, menina? Vou chamar outro taxi e você vai embora comigo” – Pedro.
Parecia que tudo estava perdido, a dignidade de Pedrão, a integridade de Maísa, o dia quase amanhecendo e 5 gatos pingados presenciando tudo isso. Quando o amigo de Pedro que estava discotecando sai e eles começam a conversar. O carro de Carlos pára, pega Maísa e sai cantando pneu. Pedrão vira pra seu amigo e propõe “Vamos pra Augusta, preciso trepar hoje”. Seu amigo, muito sincero, diz “Desculpe, minha esposa está me esperando.... Você não mudou nada né, sempre vai pagar pra por o pau em algum buraco!” e sai rindo da cara de Pedrão, que senta na sarjeta e espera outro taxi. Sozinho.

10 de set. de 2008

Novela da vida real

Tão falando que o mundo vai acabar logo mais. Então deixo aqui registrado que, quando eu virar anja, vou continuar com o blog. Mas aí vão ser episódios épicos, vou perguntar pro Bukowski como era a vida dele.
Hoje eu vou falar de um roqueiro famoso, com a idade do meu pai, mas que se acha um meninão. Como eu não quero ser processada, não vou por o nome do indivíduo aqui. Sei que é bem difícil dele ler meu blog, mas sempre tem um arrombado ou uma vadia pra me dedurar.
Pedro é um cara bem conhecido na noite, desde os anos 80 aprontando todas, tomando ácido, cheirando cocaína, enchendo a cara e achando tudo isso muito bonito. Sua banda é de São Paulo, mas Pedro desde os anos 80 sempre teve um sério problema com mulheres em todo canto que ia. Era no norte, no sul, no nordeste, centro-oeste. Ninguém queria pegar o Pedro, mesmo ele sendo vocalista de uma banda famosa, que ia no Faustão, no Fantástico, no caralho a quatro. Uma vez a banda dele foi tocar em São Paulo, junto com uma banda do Sul. Milhares de menininhas histéricas na frente do palco. Pedro desceu do palco depois do show, o pessoal todo foi em cima dos caras do Sul, em cima do guitarrista de sua banda, que era um partidão, diga-se de passagem. Pedro sempre tinha que pagar pra conseguir algo, ou pegar uma garota muito carente rejeitada até pelo segurança.
Os anos foram passando e o físico de Pedro só piorava, o que fazia a situação sexual dele piorar também. Passaram-se os anos 80, os anos 90, e vamos para o ano de 2003, onde Pedro teve dois infortúnios inesquecíveis. O primeiro aconteceu em uma capital do Sul do país. Pedrão estava curtindo uma baladinha, vendo seus amigos velhotes tocar. Acabou admirado com a beleza de duas guriazinhas, Sheila e Carolina, que estavam super bêbadas, gritando e pulando. O que o velho roqueiro não sabia era que as duas eram experts em enganar homens bêbados e babões. Ele se aproximou delas e super acreditou que estava rolando um clima. Um clima de putaria, de orgia, de um velhote e duas groupies na cama do hotel. Ele começou a pagar mais drinks para as duas moças, que foram ficando mais maleáveis e concordaram com a idéia de ir pro hotel com ele. As duas moças já eram conhecidas no meio por pegarem alguns caras de banda, Pedro super acreditava que iria ser comido por elas.
Ele pagou o taxi até o hotel. Chegando no quarto, ele tirou as roupas, ficou de cueca. O pessoal começou a tirar um sarro dele, afinal, ele é um velho, gordo, pelancudo e nem com 2 litros de whisky Sheila e Carolina o achariam interessante. Pedro ficou nervosão e disse que ia jogá-las pela janela se não dessem pra ele. Nisso, o celular dele tocou. Ele pediu para as gurias atender. Era uma menina perguntando sobre ele, ele pedia pra elas falarem que “não rolava”. E desligaram. E a menina ligou de novo, era Deuzete, uma senhora de 40 anos que o Pedro perdia o tempo quando estava naquela cidade. Mas como Pedro estava com duas de 20, não queria pegar a de 40. Rindo muito da situação, as garotas disseram para Pedro que “só porque tu é famoso acha que pode tudo”. Ele dizia que tinham dito pra ele que elas quereriam comê-lo. Elas riram muito alto “masnemmortas” e ele as empurrou na hora de ir embora, “pra fora do meu quarto ninfetas desagradáveis, eu tenho história, eu sou do PSTU”. Revoltado, Pedro foi logo cedo de volta para São Paulo, ver se conseguia algo por lá, numa balada super descolada que um amigo seu discotecava de segunda-feira.
Chegando na balada, pegou seu drink, cheirou sua carreira e foi dançar aos sons oitentinhas da pista. Quando viu um trio que chamou a atenção, uma loira magra e bonita, uma morena obesa e uma moça carequinha estranha. Ele chegou perto do trio, lógico que ele queria a loira. Maísa, era seu nome. Tinha 17 anos, entrou com o RG falso. Maísa estava com Diana e Joaquina, respectivamente a obesa e a careca. Maísa foi pra balada aquela noite pra encontrar um cara que ela queria muito pegar, estava apaixonada. Aí chega o velho Pedro.... AMANHÃ EU CONTINUO SENÃO FICA IMPOSSÍVEL DE LER.

9 de set. de 2008

Novela da vida real

Esses últimos dias estão sendo difíceis pra mim, gente, agradeço todas as pessoas pacientes que me ajudam e me estimulam, e as que me desdenham agradeço também, porque quando se agrada todo mundo é porque o problema é maior do que se pensava.

E vou agradecer em especial o Rodolfo, meu grande amigo que me rendeu um drama maravilhoso. Aê Rodolfo, arrasou!
Rodolfo é um moço inteligente e super interessante, claro que é gay, néam. Mas ele teve umas experiências ótimas antes de ter convicção de que era homossexual, foi pros Estados Unidos, morou em San Diego, na California, depois se mudou pra New York, onde conheceu Katrina, não o furacão, a mulher. Katrina era uma mulher de quase dois metros, meio forte, negrona, marrenta e tinha muito bigode. Casaram-se e aí Rodolfo percebeu que não era dessa fruta que ele tava a fim e abandonou o lar, voltou para o Brasil e começou a ir aos lugares que não conhecia, sem seus amigos bobos de infância. Conheceu um tal de Flávio, que era do nordeste, então o romance durou o que tinha que durar e Rodolfo, desolado, voltou a andar com os amigos bobos, quando conheceu umas pessoas muito legais que toparam sair com ele nas baladas chamadas MIX, que na verdade só têm mulher hetero, é tudo uma falsa impressão de que todo mundo pode pegar todo mundo. Mas enfim, as amigas de Rodolfo caíram nessa e alguns amigos também, mas os caras já sabiam que iam se dar bem com as gurias, afinal, Rodolfo só tinha amigos hetero na época.
Imagine que eles foram pra uma balada muito electro, no fim os amigos de Rodolfo desistiram, tudo bem que já eram 4 e meia da manhã e ninguém estava usando drogas de ficar acordado. Só o Rodolfo, claro, que queria afogar suas mágoas. A mágoa de ter casado com uma mulher muito parecida com um homem e, ainda assim, não a desejar, a mágoa de se apaixonar por um homem que não largou tudo pra ficar com ele, a mágoa de estar na balada gay e ainda não ter pegado ninguém.
Quando Rodolfo pensa em desistir e jogar a toalha, eis que ele vê um ser forte, másculo, barbudo e dançando totalmente rebolativo. Era sua chance. Rodolfo chegou pro cara e disse “Eu te espero há 23 anos”. O cara falou “Quem é você?”, Rodolfo rebateu “Sou tudo que você precisa.... Estarei lá fora te esperando, se você demorar mais que 10 minutos, eu vou embora”. Aí Rodolfo foi saindo, pagou a comanda e sentou na porta da balada, no lado de fora.
O cara assediado se chamava Rodrigo, é estilista e dá aula em uma faculdade de moda. Achou Rodolfo lindo e foi logo pagar a comanda também. Quando saiu, viu Rodolfo deitado no chão, dormindo. Achou uma atitude linda, o cara estava lá mesmo!
“Psiu, acorda, menino. Vamos embora” – Rodrigo.
“Anh? Quem é você?” – Rodolfo.
“Eu sou o Rodrigo, você disse que ia me esperar aqui fora pra gente ir embora junto” – Rodrigo.
“Eu disse? Sai daqui, eu nem te conheço!” – Rodolfo.
“Mas você tava aqui me esperando, me esqueceu quando dormiu?” – Rodrigo.
Aí Rodolfo mediu o cara de cima a baixou, viu que dava um caldo e falou “Eu não esquecer de você tão fácil”, salvando sua noite de sexo. E foram embora juntos pra casa do Rodrigo, mas Rodolfo estava tão bêbado que acabou dormindo e não fez sexo nenhum. Por ironia do destino, Rodrigo gostou de Rodolfo e deu a ele a noite de sono pra, no outro dia, praticarem o sexo. Mas Rodolfo foi embora, porque tinha que trabalhar. No fim a casa de Rodrigo só serviu como dormitório. Mas Rodolfo não ia perder a chance, deixou um bilhetinho com seu telefone e seu nome e escreveu “Miliga”. Rodrigo ligou e assim rolou um romance lindo que durou 4 meses.

8 de set. de 2008

Novela da vida real

Eu sei que já não tá sendo mais tão divertido o ofício de ler esse blog, mas estou aqui pra me entreter, a vida dos famosos não é tão legal assim, apesar de render bastante assunto, admito.

Betina não é rica, não é famosa, nem chega perto disso. Betina é uma jovem estudante que estava atrás de diversão e acabou passando momentos de adversidade que eu relatarei aqui com toda pompa que uma anônima merece.
Era Carnaval no ano de 2006, quando a estudante Betina estava feliz e saltitante pois tinha recebido a rescisão de seu trabalho como vendedora no shopping e queria aproveitar cada centavo. Betina trabalhou incessantemente oito meses de sol a sol, chuva a chuva, domingo a domingo. Finalmente foi mandada embora no Carnaval, era essa sua vontade desde que entrou na lojinha de roupa brega. Betina queria se dar ao luxo uma vez na vida de esbanjar seu salário, não era a grana de mamãe e papai, era a dela e ela queria muito torrar. Os amigos se reuniram e decidiram ir pra uma cidadezinha onde rolava um carnaval de marchinha, na praça principal da cidade. Eles queriam alugar um chalé, mas não rolou, não tinha vaga em pousada, não tinha nenhum hotel. Decidiram acampar e foram em uma van, cheios de malas, Betina e mais cinco amigos, em busca de um carnaval inesquecível.
Chegaram no camping, montaram as barracas e foram pro centro curtir as marchinhas. Todo mundo tomando todos os venenos possíveis pra alcançar a felicidade plena que se busca nessa época de folia. Quem sabe o que é, não duvida, sabe o que acontece com seis jovens bêbados numa cidade desconhecida e lotada de turistas igualmente bêbados. Se perderam, óbvio. Cada um num canto da praça, cheia de pessoas com mascaras de bichos, de gente famosa, de terroristas, de políticos e até gente que tava sem mascara mas estava com a cara deformada de tanto torpor.
Betina resolveu sentar num boteco e esperar ver seus amigos passar, afinal, a cidade não era tão grande e tava todo mundo no mesmo quarteirão. Uma pinga de mel aqui, uma pinga de coco ali, um hi-fi caprichado na sagatiba. Logo Betina sentiu seu fígado gritar “PÁRA DE BEBER EU VOU DESMANCHAR”. Ela olhou pra baixo pra ter certeza de que não estava ficando louca, quando quis olhar em volta, reparou que estava no chão. As pessoas no boteco ficaram olhando pra ela no chão e Betina abria a boca mas não conseguia proferir uma palavra. “ASHDOIDFAADS”, disse ela. “Ou ela é russa, ou está muito louca”, disse o tiozinho do boteco. Betina começou a babar, aí alguma boa alma foi lá colocar sal debaixo da língua dela e ela “ASHNOPRECI” e a galera a deitou esticadinha na frente do boteco e chamou uma ambulância. Vexame demais pra você? Pois é, os amigos de Betina conseguiram se encontrar e foram atrás dela, até que acharam a bolsa dela pendurada em uma árvore. A bolsa estava vazia e Betina não estava por ali. A ambulância chegou no boteco e não tinha uma viva alma que soubesse o nome da desfalecida Betina, que não conseguia falar em português e só conseguia ouvir seu fígado cantar “They try to make me go to rehab and I say no, no, no”. Ela foi levada ao hospital e, sem conseguir dizer seu nome, sozinha ali no corredor, teve que ouvir a enfermeira dizer “essa não tá com documento, nem consegue falar, bota o nome como desconhecido”. Sim, Betina era uma indigente no hospital, estava só, sem sua bolsa, sem sua rescisão, sem lenço, sem documento. Seus amigos a procuravam incessantemente, com a bolsa vazia, vendo se achavam um rastro de documentos. O celular já não estava mais entre nós, a esperança era ir de boteco em boteco ver se achavam a amiga. E foram. A aventura acabou as 23 horas. Quando Betina voltou para o camping e achou seus amigos fazendo um ritual simbólico de velório. “Eu tô viva, minha gente”, e todos comemoraram. Os documentos de Betina ainda estão perdidos pela cidade. O dinheiro, ninguém sabe onde foi parar. Reza a lenda que Betina pendurou a bolsa pra amarrar o tênis e esqueceu na árvore. Passaram uns transeuntes e resolveram mexer no fruto novo da árvore, enquanto Betina estava passando reto na frente dos botecos. As pessoas no hospital não sabem até hoje o nome da indigente que falava russo. Betina fugiu de lá sem deixar rastros e a história até virou lenda por aquelas bandas.

4 de set. de 2008

Novela da vida real

Só pra informar, agora o Novidaids vai trabalhar apenas pra contar histórias reais de pessoas anônimas com as identidades preservadas. Eu dramatizarei pra tudo ficar mais interessante, afinal, a vida dos outros sempre atrai atenção, mas nem sempre é mais legal que a nossa.

Hoje vamos falar de Adriana, uma moça sonhadora nascida no interior. Adriana veio de uma família pobre, porém honrada, de uma cidade do interior de Minas Gerais. Adriana nunca teve muitos amigos, pois era retraída e não socializava muito fácil, tinha uma dificuldade tremenda devido a sua timidez. Os pássaros, coelhinhos, porquinhos e todos os bichos possíveis na cidadezinha eram os melhores amigos de Adriana, praticamente a Branca de Neve. A vida da garota mudou totalmente quando seus pais se separaram e ela foi morar com o pai, e a irmã com a mãe. É uma história complexa que eu contarei em outra oportunidade, senão a história que eu gostaria de contar vai ficar coadjuvante. O pai de Adriana se mudou para outra cidade com ela, que mudou de escola, não tinha mais os bichinhos como companheiros. Tudo mudou. Finalmente Adriana se forma na escola e entra na faculdade, onde começa a beber e assim larga a timidez de lado. Faculdade é assim, né, quem nunca fumou, fuma. Quem nunca bebeu, bebe. Quem nunca trepou, trepa. Quem já fazia isso antes, faz em dobro. E assim Adriana conheceu várias pessoas e começou a viver várias histórias que eu contarei em outra oportunidade, senão a história que eu gostaria de contar vai ficar coadjuvante (sim, a vida da Adriana é muito interessante. Vou fazer um livro sobre ela). Adriana vê que a vida do interior não é legal o suficiente pra loucura dela e muda pra outra cidade, uma grande capital, na qual ela conhece apenas uns amigos que a hospedam na república em que moram.
As pessoas da cidade grande são bem diferentes, Adriana fica perplexa com a beleza da cidade, o ritmo diferente e a quantidade de coisas que há pra fazer numa cidade diferente. Ela começa um cursinho pra prestar outra faculdade, já que abandonou o curso que fazia no interior. No cursinho ela conhece desde nativos da cidade grande, até caiçaras e outros interioranos de outros interiores. Comunicativa, a Branca de Neve agora parece mais a Cher. Cheia de amigos, vai todos os dias para o bar, trocar idéias, conhecer gente nova, quem sabe uma baladinha depois?
Numa dessas bebedeiras, Adriana conheceu Julio, um cara super descolado, lindo, inteligente e gay (claro, como todos os homens interessantes do Brasil). Ficaram supoer amigos e iam juntos pro cursinho. A turma de Julio era babadeira, sempre com um role diferente, baladinhas mil, era uma coisa totalmente nova para Adriana.
Um dia Julio chama Adriana pra ver filme na sua casa “vai uma galera, vamos beber vinho, fumar uns e assistir filmes do Almodóvar”. Adriana hiperventilou com o convite, não ia dizer não NUNCA. Aceitou e depois da aula foi com a turma descolada para a casa de Julio. Mal sabia ela que essa história de ver filme poderia virar outro filme.
Chegando no apartamento de Julio, todos abriram as centenas de garrafas de vinho que haviam na casa, colocaram o DVD e começaram a ver, devia ter umas 7 pessoas na casa, Julio e mais dois caras, o resto tudo mulher. Entre elas, a inocente Adriana, que ainda guardava em si aquela Branca de Neve, o espírito interiorano, a pureza do Jeca Tatu.
Depois que o filem acabou, ligaram o som, estavam todos bêbados já, Adriana estava com sono, queria ir embora e Julio propôs que ela dormisse lá. Ela ficou mais aliviada e começou a curtir um som e esperar o sono bater mais forte. De repente, não mais que de repente, numa cochilada de Adriana, ela acorda subitamente e vê que todos na sala estavam nus. Seria uma pira? Será que puseram LSD na bebida de Adriana?
Não! Estavam fazendo uma suruba na sala e, percebendo que Adriana estava acordada, resolveram chamar ela pra participar! “Eu já comi todas minhas amigas, não tem problema, não há mal algum, tire a roupa”, disse Julio para Adriana, que deixou claro “não quero fazer parte disso, se te incomoda eu não participar, vou embora”. Julio disse que não tem problema, que, se ela quisesse, podia ir dormir no quarto que a putaria continuaria na sala. Adriana foi dormir no quarto.



No dia seguinte Adriana acorda com alguém batendo em seu rosto, era Julio! O dia já raiado, Júlio bate com sua bigola na cara de Adriana!!! Ela acorda “você ta me dando uma surra de pau mole na cara?”, Julio retruca “ai, é divertido, você não pegou mal não, né?”. Adriana explica que ela não tem nada contra suruba, mas que gostaria de ter sua integridade mantida, por mais que isso incomodasse aos outros, ela não queria entrar no trenzinho ‘da alegria’. Julio pede desculpas à Adriana, justifica seu ato dizendo que estava ‘muito louco’. Realmente, devia estar. Adriana, como moça boa do interior que é, perdoou o amigo, mas nunca mais foi ver filme na casa dele.

3 de set. de 2008

Novela da vida real

Mais uma vez voltando pra contar a desgraça alheia. Vamos falar de Cleide (nome fictício), uma garota sonhadora de São Miguel (zona leste de São Paulo). Cleide passou a vida muito depressiva pois era a filha do meio e seus irmãos sempre foram queridos, um por ser mais velho e o outro por ser mais novo. Ela era a esquecida, quase ninguém da família lembrava dela, só a mãe, às vezes, por ela ser menina. Cresceu assim, largada nas ruas da zona leste de São Paulo, convivendo com ratos, mendigos, lixo e forró. Quando tinha 16 anos, Cleide começou a freqüentar os bailes de forró da zona leste e aí começou a ter amigos, se sentiu querida finalmente, depois de anos de anonimato dentro de casa. Andando com a rapaziada do bairro, Cleide passeava pelas ruas de madrugada, pra voltar pra casa, sempre cambaleante de beber xiboquinha, e ninguém em casa reclamava, afinal ela era praticamente invisível.
Num show de Frank Aguiar, Cleide conheceu Jonas (nome fictício), um cara gente boa e animado. Ralaram coxa até as 6 da manhã, quando ele disse que levava Cleide pra casa dela em seu fusquinha. Cleide chegou em casa sublime, com o papelzinho com o número do orelhão perto da casa de Jonas, que ele pediu pra ela ligar as 9 da noite, que era a hora que ele chegava do serviço. Muito animada, Cleide comprou 5 fichas (na época não tinha cartão) e ligou às 9 da noite pro orelhão do Jonas. Ali começava uma história surpreendente que mudaria a vida dos dois.
Jonas e Cleide se viam direto, saiam sempre, começou um romance juvenil, Cleide no alto de seus 16 anos e Jonas com seus 23 anos, sempre indo de forró em forró, atravessando a cidade pra ir no CTN (Centro de tradições nordestinas), o fusquinha embalava o amor dos dois. Cleide estava tão feliz que finalmente sua família começou a reparar na existência dela, sua felicidade era radiante. A mãe perguntou qual o motivo de tanta alegria, Cleide disse “tô namorando, mammy”, a mãe dela hiperventilou com a boa nova, a filha enfim era uma pessoa e não um vulto na casa. Eu esqueci de falar, mas a Cleide tinha um melhor amigo, seu cabeleireiro e manicure, Ale. O Ale é aquela bichinha pão com ovo da zona leste, que ia na Broadway, na Overnight e nas baladinhas ‘clubber’ da zona leste. Ale tinha o cabelinho azul, usava roupa colorida e se achava the next fashion icon, a Cleide adorava fazer a unha com ele, porque aí ela se sobressaía das outras gurias do forró, com as unhas laranja, azul e seu cabelo vermelho cor de fogo, muitas vezes magenta, quando o Ale comprava a tinta italiana na galeria do rock e levava pra Cleide.
No aniversário de 17 anos da Cleide, a família decidiu fazer uma festa e Cleide chamou geral da zona leste e falou que seu namorado podia trazer quem quisesse também. Foi que foi, rolou um bailão que tocou forró, pagode e no fim o cd de músicas 80’s do Ale. Jonas bebeu demais na festa e dançou loucamente Abba, o que despertou desconfiança para a mãe de Cleide e seu irmão mais velho, que é cabeleireiro (mas não é gay). Cleide disse que não tinha nada a ver, que era o álcool que subiu. A mãe e Cleide perguntou “mas o Jonas já te comeu?”, Cleide, sem graça, respondeu “ele é um moço respeitador, eu sou virgem!”.
Passaram-se 2 dias e Cleide, encafifada, resolveu que queria meter com Jonas e começou a instigar o cara, aproveitando do fusquinha, pra eles irem ao motel. “Mas você é de menor, Cleide” – dizia Jonas. “A gente tá na ZL, aqui não pedem RG” – rebatia a moça. Começou aí a desconfiança de Cleide, por que será que seu namorado não quer come-la? Cleide desabafa com a mãe, que propõe que ele durma em casa com ela (que família moderna, NE?). Cleide convida Jonas pra passar a noite com ela em casa, ele cambaleia mas vai. Depois de muita mão naquilo, finalmente ele comeu a Cleide e ela se sentiu aliviada... Não era mais virgem e seu namorado não era gay.
Um dia Cleide vai pra um baile eletrônico com Ale, escondida do namorado. Ela não agüentava mais ir ao forró e descobriu que queria ser clubber, já tinha o cabelo e as unhas coloridas, era meio caminho andado. Na volta, toda malandra por ter saído escondida, resolve passar no boteco do seu João, duas ruas antes de sua casa, pra tomar uma água e comprar uma balinha pro bafo de pinga, afinal agora sua família sabia de sua existência e não admitiria uma menor de idade bêbada fazendo barulho em casa. Saindo do bar, ela resolve ir por uma pracinha, pra enrolar e chegar em casa menos bêbada. Quando ela vê o fusquinha de Jonas parado debaixo de uma arvorezinha. No escuro, ela agacha pra não ser vista e vai andando de mansinho até o fusca. Certeza que era do Jonas, será que foi roubado? Será que o Jonas está esperando por ela?
Quando ela olha dentro do vidro, está Ale, seu melhor amigo, pagando um boquetinho para Jonas, seu namorado. Ela não se contém e grita, acordando metade da zona leste com o grito. Os dois param e ela sai correndo. Ale corre atrás mas depois desiste, a moça está estarrecida.
Ela tenta entender, não consegue dormir, acorda a mãe dela e conta o que viu. No outro dia Ale passa lá, mas é posto pra fora pela mãe de Cleide, ele grita pra rua inteira ouvir “Foi depois do seu aniversário, ele que veio atrás de mim, a gente ia te contar”. Cleide vira motivo de chacota para a rua inteira, depois para o bairro inteiro. Ela mal podia sair de casa, ir à escola, pagar uma conta no banco sem que as pessoas a apontassem e falassem “ela foi traída pela moninha do fusca”. Depressão. Loucura. Depois de 2 anos de tratamento, Cleide conseguiu se reerguer, fez novos amigos, entrou na faculdade. Começou a freqüentar lugares mais dignos e até fez novos amigos gays. Cleide só conseguiu namorar alguém de novo 5 anos após esse trauma, um garoto 10 anos mais novo que ela, que a amava e obedecia como um filho. Ale e Jonas ficaram juntos por 3 anos, depois que terminaram, ambos ficaram amigos de Cleide, mas cada um no seu quadrado, pois terminaram muito brigados. Atualmente Ale se apresenta como Pandora Presley (nome artístico fictício) em uma boate gay no Largo do Arouche.

11 de mai. de 2008

NOVELA DA VIDA REAL

Texto cedido pelo meu parceiro (humm... parceiro...) JECABIT

Novela de um relato real dramatizado (Jecas, tirei os comentários do texto pra dramatizar mais ainda).


A história de um cara que tinha síndrome de Tourette e começou a ficar com uma menina (a chamaremos de AMIGA). Primeiro definamos a sindrome de tourette: tiques involuntários, reações rápidas, movimentos repentinos (espasmos) ou vocalizações que ocorrem repetidamente da mesma maneira.


FOCAMOS EM VOCALIZAÇÕES. A pessoa GRITA, GEME e nem percebe. Agora começa o drama: Amiga trampava com o TOURETTENTO numa escola de ingles e pans, ele era professor e ia se mudar pro canadam em dois meses. Aí ele tinha acabado de terminar um relacionamento de sei lá DEZ ANOS e tava a fim de curtir, mas o cara era MUITO feio, gordinho e tinha tourette, então tinha que ser mto guerreira não é a toa que a Amiga é cover da Xena, a princesa guerreira. Tipos eles começaram a ficar e tal e ela curtiu beijar ele, aí demorou uma semana pra ela por a mão no pipi dele porque ela achava ele muito estranho... Ela foi pra casa dele um dia e ele quis comer ela e ela ficou com receio porque, pô, o cara era estranho, metaleiro, gordinho, tinha tourette e recém separado da noiva, ele podia zuar com a cara da Xena né.
Ela ficou meio bolada, pois sentia ele muito estranho as vezes, não sabia dizer como, aí ele foi dormir na casa dela um dia e jurou que não ia forçar o sexo nem nada, ia só ver filminho e tal, firmeza, deu 20 minutos de filme o cara foi embora sem dar tchau nem nada, saiu andand. Ela ficou mal pra caralho e então ele liga e fala "EU ESQUECI MINHA FARINHA NO SEU BANHEIRO. TEM COMO VOCÊ GUARDAR PRA MIM??"
A mina ja tava chorando e falou "VOU TACAR NA PRIVADA ESSA BOSTA" e tacou e a porra da farinha não descia. Detalhe que a Amiga morava com a mãe e um tio doente na casa e tipo, MEU, NAONDE QUE IA TER PAPELOTE DE COCAINA NA CASA??? A casa ia cair pra Amiga né. Aí ela pôs a mão na privada tirou o papelote, enrolou num papel e jogou no lixo, aos prantos. Então eles se trombaram no trampo no outro dia e o Tourette nem olhou pra ela, na hora do almoço ele ligou e falou "PORRA VC JOGOU MINHA FARINHA FORA MESMO" e ela "joguei sim quero que vc morra seu drogado". Aí ele "OBRIGADO... TAVA PRECISANDO PARAR DE CHEIRAR, DESCULPA AI, EU NAO CHEIRO SEMPRE SÓ UMA VEZ POR SEMANA. TO QUERENDO PARAR ME AJUDA". Então ela idiota topou sair com ele depois do trampo, aí ele cheiro... pior é que ele falava "NAO MAS É QUE EU SÓ FAÇO ISSO DE SABADO, PQ É FODA NÉ, CE TA LIGADA" e ela falou " E SE VC ME COMER VC PARA DE CHEIRAR?". Enfim ele comeu ela porcamente, meia bomba. Aí ela odiou e saiu fora decidida a se livrar dele... ela pediu as contas do trampo pra nao ver mais ele. Porém o mundo tem 7 pessoas e ela tava no bar um dia e ele colou e sentou com ela no maior love, falou pra serem amigos e tal ai ela falou "ta bom".
AGORA O FINAL, MARAVILHOSO:
Foram numa pizzaria fina, chic de familia, com idosos e crianças. O cara falando com ela normal e tal, do nada grita "FUCK YOOOOOOOOOUUUUUUUUUUU". Uma velha da mesa ao lado grita "TA AMARRADO EM NOME DE JESUS" e aí ele "FUCK YOU ALLLLL". A amiga sai andando morrendo de vergonha ele vai pra rua atras dela e grita "FUCK YOURSELF". E nunca mais ela o viu de novo.

17 de dez. de 2007

Novela da Vida Real

Vamos começar a novela contando a história da nossa amiga Milena, ela mandou uma cartinha virtual pra gente e o drama começou assim:

"Ai fia... Vendo todas essas prezepadas de celebridades, lembro que o acontece nas novelas acontece na vida.. Especialmente nas novelas mexicanas! Eu sofro mais que a Maria do Bairro...
Inclusive tô sabendo que a mulher do Silvio Santos anda dando pinta de noveleira e vai fazer uma... Se precisar de inspiração, poderia conhecer a minha história... Sou cagada no amor.
As duas cagadas históricas são, primeiro quando em envolvi com um satanista. Aliás, posso até dizer que eu namorei o coisa-ruim em pessoa! Realmente a paixão nos deixa cega. E sem olfato. Até eu já fedia a óleo de motor. "



Boa noite Mozão


"Ai depois a doida resolve casar com outro... E ele vira crente fanático. Ok, compreendo até que o fardo de me ter ao lado não é leve... mas apelar para o Divino?
Aí fiquei só. Fui do inferno ao céu... E os dois extremos são ruins."


Mãe, casei mesmo, não tem mais volta!! Ou tem??


Um parêntese para o raio-x do noivo:



Ele era assim! E depois de casar com a Milena ficou assim:



"Agora apareceu uma pessoa especial, bacana... Será que minha sina será perde-lo pra macumba???
Fia, que faço pra tirar de mim essa maldição?
Quero ser feliz... Já recorri ao Gasparetto. Mas ele só me diz que é tudo mimo, tudo mimo...
Por favor...me ajuda. "

Milenaaaaa, you want the best, you'll get the best! Você precisa mesmo passar por um reformador... Acho que a sua conversa religiosa pode afetar moralmente a cabeça de um cara. A solução é: SEJA ECUMÊNICA!! Porque pode ser que o seu novo amor se torne um: