20 de jan de 2009

Novela da vida real

Hoje vou contar a história de amor e ódio de Mariana. Afinal, depois de muito tempo sem postar, esse blog merece uma história bombástica pra começar bem 2009.

Mariana era uma menina que veio de uma origem problemática. Sua mãe abandonou a família quando ela tinha apenas 2 anos e fora criada com o pai e o irmão mais novo num sítio no interior de São Paulo. Desde cedo Mariana e Mario, seu irmão, ajudavam o pai na roça, seja plantando, colhendo ou vendendo no mercadão as verduras do sítio. Quando tinha 10 anos, Mariana viu seu pai dividindo o amor dele com uma mulher, com quem casou em pouco tempo e tiveram uma filhinha. Mariana e Mario ficaram enciumados, porém conformados com a situação, afinal, eram só crianças.

Com o passar dos anos, a madrasta se tornou uma pessoa fria com Mariana e Mario, ciumenta com o marido e mimava muito sua filhinha. Mariana começou a trabalhar fora e decidiu que sairia de casa assim que seu irmão, que estava com 14 anos, começasse a trabalhar também. Mariana foi trabalhar de recepcionista num escritório em São Paulo, quase 100km de distância do sítio onde morava. Era dedicada e estava feliz de sair da vida da roça, porém se sentia solitária por não ter muito com quem dividir essa alegria. Já havia terminado o colegial e seus colegas não viam muito bem essa de Mariana viajar pra ir trabalhar. Num vagão de trem lotado, Mariana pensava que sua vida seria melhor se ela arrumasse um companheiro, alguém para acompanhá-la nesta longa estrada da vida. Quando na estação Jundiapeba, um moço senta ao seu lado. Ele vê os grandes olhos verdes de Mariana e se encanta, decide puxar conversa com ela. Mariana gosta do papo de Valter, ele parece um cara legal, pois também mora longe e, ainda assim, trabalha de Office boy em São Paulo. Eles trocam telefone e desejam se encontrar de novo, com ou sem a ajuda do acaso. Mariana liga para Valter no dia seguinte e eles se encontram na estação da Luz para sentar juntos no trem novamente. E assim uma semana passa e eles se vêem todos os dias, menos domingo, que era folga deles. Mario começou a trabalhar e quis procurar casa junto com Mariana num lugar mais perto da zona urbana. Eles acharam uma kitinete na Rego Freitas, centrão de São Paulo, e mudaram pra lá para a tristeza de seu pai e felicidade de sua madrasta. De pouco em pouco, Mariana e seu irmão montavam o apartamento de 38m², pequeno mas suficiente para eles. Mario mudou de escola, na verdade ele disse que mudou de escola, mas tinha é parado de estudar. Ele já era alfabetizado e estava satisfeito assim.

Valter e Mariana começaram a se entender melhor, até que rolou um romance. Vira e mexe Valter ia dormir na Kitinete, o que deixava ele mais perto do trabalho e não precisaria acordar as 5 da manhã e fazer uma viagem até o trabalho. Estava feliz pela comodidade e por estar com Mariana. Mario não via isso muito bem, mas não reclamava, pois faria o mesmo se fosse com ele.

Valter decidiu mudar pra casa de uma tia em Guaianases, pra ficar mais perto do trem e assim não ficar sempre na pendura, dormindo na casa de Mariana.  Depois ele comprou uma moto, que Mariana ajudou a pagar, agora eles já tinham um vida praticamente de classe média. Iam ao shopping Itaquera, comiam pastel na Liberdade, enfim, era um casal feliz. Amanhã eu continuo...

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